Euro 2016

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Bélgica-Itália, ou o mundo ao contrário

E se de repente lhe dissessem que os belgas são favoritos, porque têm mais e melhores jogadores do que os italianos? As voltas que a bola dá.

Expresso

Foto EMMANUEL DUNAND/Getty

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Se alguém lhe dissesse que a Bélgica ia entrar em campo como favorita para defrontar a Itália num campeonato da Europa acreditava? Pois é, mas desta vez é assim mesmo.

É verdade que no futebol são onze contra onze e a bola é redonda e do outro lado está a Itália, matreira, raposa velha habituada a bater no fundo e a encontrar forças quando todos a dão como morta. Mas se olharmos para os onze da Bélgica é impossível não ficar de boca aberta. Só craques.

Começamos pela baliza e encontramos um dos melhores guarda-redes da atualidade, facilmente entre os 3 melhores do mundo. Courtois garante segurança, transmite tranquilidade e raramente dá um frango. Tem só 24 anos.

À sua frente, talvez o setor com menos opções. Kompany está lesionado. Vermaelen tem jogado muito pouco ultimamente, sobram Alderweireld e Vertonghen colegas de equipa no Tottenham que tanto jogam a central como a laterais, sempre em grande estilo. Quem também vai a França é o irmão de Romelu, Jordan Lukaku defesa esquerdo que gosta de usar a sua velocidade para fazer o corredor cima abaixo.

Bem, daqui para a frente é um verdadeiro festim. Jogadores que tinham lugar de caras em qualquer seleção. Uma mistura de robustez - Fellaini e Nainggolan - com classe - Dembélé e Witsel - e criatividade - De Bruyne, Hazard e Ferreira-Carrasco. Ah, ainda sobra Mertens, que remata bem e é astuto e costuma servir como arma secreta, para completar as opções do meio-campo. De cortar a respiração.

Calma, ainda há mais: sobram Lukaku, Benteke, Batshuayi e Origi que foi uma aposta de Klopp na equipa do Liverpool.

Portanto, se há um selecionador que não se pode queixar neste verão é Marc Wilmots. Só tem que os deixar jogar à bola.

Se do lado belga o selecionador pode deixar os seus jogadores fazerem o que melhor sabem, na Itália, Antonio Conte terá que apelar ao espírito de equipa dos seus rapazes.

Não é a primeira vez, nem será a última que a squadra azzura é dada como acabada, esgotada, sem interesse e por aí fora...e depois chega até à final. Aliás, é assim que eles gostam. Na raça, na luta e até na sorte. A seleção italiana é aquela equipa que adoramos odiar, sabemos que não encanta mas acaba por ganhar.

Não será preciso ter uma bola de cristal, para afirmar que a Itália vai assentar o seu jogo numa defesa sólida, cerrar os dentes e esperar ganhar por 1-0. É mesmo difícil encontrar uma estrela entre os 22 jogadores. Buffon não conta, é de outro nível.

Já sabemos que com Chiellini e Bonucci mais vale partir que torcer, e se a bola passar muito difícilmente passa o jogador.

Com jogadores como Motta e De Rossi a garantir que daquele meio-campo ninguém faz farinha, decidimos destacar o versátil médio ofensivo Bernardeschi para dar algum sabor ao futebol. O miúdo mostrou que é bom de bola ao serviço da Fiorentina de Paulo Sousa.

Lembra-se de Roberto Baggio? Del Piero? Totti? Inzaghi? Mamma mia...pois, então esqueça Pellé e Zaza são hoje os prováveis titulares no ataque. Para quem não sabe o primeiro é suplente no Southampton e o segundo jogava até bem pouco tempo no modesto Sassuolo de Itália.

Num dos grupos mais equilibrados do Euro2016 - Rep. da Irlanda e Suécia - vencer este jogo poderá ser um grande passo para a fase seguinte