Euro 2016

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Espanha: Voar como uma borboleta, Piqué como uma abelha

A Roja venceu à República Checa (1-0) com um golo de Piqué nos últimos minutos. Ganhou a melhor equipa.

Pedro Candeias

Foto PIERRE-PHILIPPE MARCOU/Getty

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Não me interpretem mal, sou pelo Rosicky como sou qualquer outro grande jogador envelhecido, como o Ricardo Carvalho ou o Buffon, por exemplo. O problema que eu tenho com o Rosicky é que ele já não é um grande jogador, mas um ex-grande jogador e é-o já há algum tempo, mais do que eu e ele gostaríamos de reconhecer - para mim, o grande Rosicky é aquele do Borussia de Dortmund, pré-Arsenal, pré-lesões. É óbvio que o homem ainda sabe mexer na bola, passá-la, perceber os espaços, mas aquelas pernas que disparavam quando saía da finta para descobrir o Milan Baros e o Jan Koller já não são as mesmas.

Cá para mim, ele continua a ser titular da República Checa porque dá jeito a selecionador ter um tipo experiente e que dê critério no meio de carregadores de piano. Como aparentemente não há outro, entra o Rosicky - e a verdade é que a seleção checa também não pede muito mais do que isto, porque joga sobretudo à defesa e entrega sempre o ouro ao bandido à espera de poder roubá-lo ao ladrão e ter assim os 100 anos de perdão.

Convém no entanto contextualizar que é difícil jogar de outra forma contra a Espanha. É como um Barcelona (ou um Bayern de Munique) sem a aceleração de Neymar, o génio de Messi e o instinto de Suárez. Fazem a rabia, apostam muito, provavelmente em demasia, no jogo interior (o extremo canhoto está na direita; o extremo destro na esquerda), no tal tiki-taka, sempre a ver uma nesga para um passe que encontre alguém em posição de fazer o golinho. Não que isso não tenha acontecido, mas nem Morata, David Silva ou Nolito conseguiram marcar na primeira parte que acabou com este número: quase 70% de posse para a Espanha.

Na segunda parte aconteceram muiitas mais coisas. A Espanha começou a enervar-se por não conseguir marcar. A República Checa cansou-se um pouco de tanto correr atrás da bola. O encontro ficou partido e por isso mais perigoso para os guarda-redes. A Espanha tentou espreguiçar-se no campo, trocou Fàbregas por Thiago Alcântara, substituiu o ponta de lança (Morata por Aduriz) e o extremo (Nolito por Pedro) e tentou um jogo mais direto. E a República Checa respondeu como sabia, ou melhor, podia, a acudir à esquerda e à direita e ao meio.

Mas não deu para tudo. Num cruzamento de Iniesta, aproveitando uma recuperação de bola após um lance de bola parada, Piqué voou como uma borboleta e picou como uma abelha para o 1-0. Depois, repetiu-se o filme tantas vezes já visto: a formação inferior mostrou que não era assim tão inferior e que talvez pudesse ter arriscado mais e mais cedo - aquela defesa de De Gea manteve o resultado.

A Espanha, seleção mais valiosa deste europeu (€658 milhões) bateu a 19.ª mais valiosa de 24 equipas (€65 milhões), com uma estatística esmagadora: 67% de posse de bola, 17 remates contra sete, 598 passes completos contra 160.

Quando assim é, nada há a dizer.

INFOGRAFIA PAULO ALVES/GOTV/GOALPOINT/OPTA

INFOGRAFIA PAULO ALVES/GOTV/GOALPOINT/OPTA