Euro 2016

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Autor da morte de polícia queria tornar o Euro "num cemitério"

O responsável pela morte de um polícia francês colocou um vídeo em direto na Internet a partir do local do ataque, antes de ser abatido, em que apela a novos atentados durante o Euro 2016, referiu hoje um jornalista.

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David Thomson, especialista em terrorismo na Radio France Internationale (RFI) disse que o vídeo, entretanto retirado, foi colocado utilizando a aplicação Facebook Live às 20:52 locais (19:52 em Lisboa) de segunda-feira.

Num vídeo de 13 minutos produzido na casa das vítimas, Larossi Abballa, 25 anos, anuncia que matou um polícia e a sua mulher, refere Thomson, autor do livro "Os Franceses jihadistas".

Segundo o jornalista da RFI, o vídeo "foi visionado por 98 pessoas antes de ser retirado 11 horas após a sua difusão".

"Muito calmo e sorridente", e já identificado por radicalização islamita, divulgou o vídeo em direto na rede social Facebook poucos minutos após os assassinatos "onde parece ler uma mensagem escrita previamente", acrescentou Thomson.

"Vamos tornar o Euro num cemitério", diz Abballa na gravação, onde também indica "não saber o que fazer com ele", numa referência ao filho de três anos do casal, sentado num sofá atrás do atacante que entretanto se tinha barricado no apartamento.

Abballa, morto numa ação policial que ocorreu três horas depois, também colocou imagens do casal morto na sua conta, que tinha o nome de Mohamed Ali.

No registo, também exorta que sejam atacados "polícias, jornalistas, personalidades públicas, guardas prisionais e rappers", sendo citadas "uma dezena de personalidades públicas", acrescentou o jornalista.

No decurso do assalto o polícia de 42 anos foi espancado à entrada de sua casa, enquanto a sua mulher de 36 anos, que também trabalhava numa esquadra de polícia, foi degolada no seu interior.

No início da gravação, o convicto radical de 25 anos anuncia a sua lealdade ao líder do Daesh, Abu Bakr al-Baghdadi, e exorta esta organização a reivindicar o ataque, "o que explica a rápida reivindicação pelo Daesh via agência Amaq", assinalou Thomson.

Larossi Abballa tinha sido condenado em 2013 por participação numa rede que pretendia enviar jovens voluntários para a jihad armada no Paquistão.

Com Lusa

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