Euro 2016

Perfil

Uma seleção para ganhar tudo

O Comendador Marques de Correira deixou crescer o bigode em homenagem aos tempos idos, pôs o a camisola e o cachecol de Portugal e mergulhou nas coisas táticas da bola

Comendador Marques de Correia

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Não sei se lhes disse, mas futebol a sério era no meu tempo. Estes gajos nem bigode têm, valha-me Deus! É possível existir um jogador de futebol competente sem aquela farfalhuda pilosidade sobre as beiças superiores? Não é! Toda a gente sabe!

Lembro o genial Chalana, o insuperável Toni, o grande Torres, o Eusébio, o Simões o Zaugusto. Eu sei que alguns, caso do Eusébio, não tinham bigode, mas tinham nome. Comparem lá com a malta que joga hoje… Excecionando o Ronaldo, que, ainda por cima, é Cristiano, quase nenhum tem nome de futebolista.

Basta comparar. Temos um Anthony, um Cédric, um Adrien, um Raphäel (com ph e trema e tudo). Isto é o quê?

Nomes de betinhos!

Chalana, Zaugusto, Vicente, Hilário são nomes bons. Como Eusébio e Torres. Mas agora os futebolistas têm nomes, vá lá, de jogadores de ténis. Ele é o Rui Patrício, o Ricardo Carvalho, o João Moutinho, o William Carvalho… até o ciganito tem nome de golfista – Ricardo Quaresma.

Assim dá pouca confiança a um adepto, mesmo depois de meterem sete à Estónia! Aposto que nenhum deles se embebedou com vinho tinto carrascão ou fumou um maço de tabaco.

O próprio nome do treinador, Fernando Santos, não chega aos calcanhares de um Otto Glória (que é parecido com Otorrino ou Otoclismo) nem sequer do intelectual Artur Jorge. Reparem que, à futebolista, há dois nomes próprios para os intelectuais e apenas um nome próprio, ou excecionalmente dois, para os jogadores a sério – Eusébio, Vicente, Zaugusto).

O único jogador de jeito com nome e apelido foi o Alexandre Batista, mas ele era economista e por isso podia dar-se a esse luxo. Agora estes tipos chamam-se nomes pomposos e depois andam de brincos e todos tatuados ou então em barcos cheios de homens que se transformam em mulheres… Não inspiram.

Para mim, a seleção devia ser constituída por Manuel Galrinho Bento na baliza (só o Galrinho manda uma ventarola que é de génio, e quem se lembrar daquele jogo que perdemos 3-2 com a França, com dois golos do

Jordão, vê logo que tem de ser ele). Na defesa punha o Ricardo Carvalho que, por ser idoso, ninguém se encosta a ele. Depois o Morais que sabia marcar cantos diretos e ainda o Hilário e o Vieirinha, que é dos poucos atuais com nome de futebolista (como o Pereirinha ou o Costinha). A meio campo ia logo o Vicente, cá atrás, e depois o Figo, que sabia marcar golos de meio campo por entre as pernas dos médios adversários (lembram-se, contra a Inglaterra, quando estávamos a perder 2-0 ou lá que era?). O Simões, não. Gosto dele mas está um bocado gordo. Talvez o João Mário que tem dois nomes próprios. Do outro lado, seja que lado for, o Ronaldo. E à frente o Eusébio e o Torres que era uma espécie de Jardel misturado com Slimani.

Podem contestar a minha formação dizendo que não posso jogar com mortos! Falso! Há tipos na Federação Portuguesa de Futebol, nos clubes portugueses e na própria seleção que estão ainda mais mortos do que estes. E, além disso, era uma seleção que metia respeito.

Eusébio, Figo e Ronaldo? Como dizia aquele rapaz que agora é ministro, até as perninhas tremiam aos nossos adversários. Uns pela qualidade dos jogadores, os outros por terem medo de fantasmas…