Euro 2016

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A sociedade do golo Weiss & Hamsik

Apesar do sufoco russo no final, a parceria entre os dois jogadores mais talentosos da Eslováquia (um golo e uma assistência para cada um) foi o suficiente para garantir uma preciosa vitória por 2-1 no jogo que marcou o arranque da segunda jornada da fase de grupos

Tiago Oliveira

Vladimir Weiss apontou o primeiro golo dos eslovacos

Christian Hartmann / Reuters

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3-3-3. Não, não é uma tática de futebol a que falta um jogador, mas sim como agora se pode ler o histórico de confrontos entre Rússia e Eslováquia após o nono jogo entre os países. Nenhuma das vitórias foi por mais de um golo de diferença e essa constante manteve-se num jogo tenso em Lille.

Apesar de estarem a ser mais falados nesta competição pelo comportamento dos adeptos fora dos relvados do que propriamente pela exibição no jogo de abertura (em que arrancaram um empate meritório perante a Inglaterra) os "suspensos" russos vinham para esta partida com expectativas de colocar pé e meio na fase seguinte da competição. Após um início de qualificação tremido que levou à destituição de Fabio Capello, a entrada de Leonard Slutsky deu mais estabilidade à Rússia, que se apurou diretamente para a competição, a oito pontos do nosso próximo adversário, a Áustria.

Como adversário de hoje, apresentava-se uma equipa da Eslováquia que tinha defraudado as elevadas expectativas - a exibição inicial perante Bale e companhia não foi propriamente bem conseguida - após uma campanha de apuramento em que ganharam à campeã europeia em título, a Espanha. O que esperar de hoje?

Muralha eslovaca

A Rússia apresentou-se sem alterações, enquanto a Eslováquia promoveu três entradas em relação ao primeiro jogo. Mas os artistas principais já lá estavam: Vladimir Weiss e Marek Hamsik. Uma sociedade que dividiu irmamente tarefas na hora de fazer frente aos experimentados defesas russos. Autêntico herdeiro de uma dinastia de futebol (que conta com um avô internacional e um pai selecionador), Weiss não se deixou intimidar e dele vieram os primeiros sinais de perigo.

Após um período de algum equilíbrio, o golo chegou aos 32 minutos, quanto Hamsik fez um lançamento longo que apanha a defesa desposicionada. Domínio perfeito, finta de corpo, dois defesas para trás, e finalização com arte de Weiss. Estava feito o primeiro, mas o melhor ainda estava para vir. Mesmo no final da primeira parte, Weiss marca um canto curto para Hamsik, que tira um adversário do caminho e manda um 'míssil' cruzado para as redes de Akinfeev. Um dos melhores golos da competição, até agora. Sempre com os mesmos protagonistas.

No reatar da partida, Slutsky promoveu duas alterações em simultâneo e os russos partiram atrás do prejuízo, em tentativas recorrentes que eram quase sempre eliminadas pela muralha eslovaca, a partir da qual saíam sempre conta-ataques ameaçadores. A pressão acabou por surtir efeito, com um golo de Glushakov aos 80 minutos.

Até ao final, o sufoco foi a nota dominante, com cortes em desespero e boas defesas de Kozaczik a manterem 2-1. Resultado que dá nova vida à Eslováqui e deixa desportivamente a Rússia na posição periclitante que até agora tem marcado a sua participação. Culpa da sociedade do golo (e da assistência).