Euro 2016

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Malditos vikings (uma crónica que vai querer ler)

Marco Grieco, diretor de Arte do Expresso, descobriu que além de não perceber nada de economia também não entende patavina de futebol

Marco Grieco

Foto PHILIPPE DESMAZES/Getty

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Nunca percebi muito de Economia e ontem descobri que, afinal, também estou longe de ser especialista em futebol. Se, por um lado, comprei ações do BCP quando estas valiam mais de 1 euro cada – na crença quase pueril e deveras alquimista de que um dia valeriam mais de 2 euros –, por outro acreditei que o nosso jogo de estreia no Euro 2016 seriam favas contadas…

Nem uma coisa, nem outra.

Se em 2010 um maldito vulcão de nome impronunciável parou a Europa – Eyjafjallajökull, para os que já não se lembram – e até fez estremecer algumas praças financeiras, ontem em Saint-Étienne foi a vez de um maldito viking de nome impronunciável abrandar o crescimento do nosso PIB desportivo, deixando Portugal com um claro défice de dois pontos na classificação do Grupo F.

Onde hoje era suposto contarmos três, afinal só lá está um.

Ao mesmo tempo que deu cabo das projeções otimistas de Mário Centeno e de 11 milhões de investidores, Birkir Bjarnason acrescentou um histórico ponto à cotação da sua ilha, numa estreia absoluta em fases finais europeias. É verdade que eles têm poucas horas de sol, uma terra cheia de buracos monstruosos que deitam água e vapor – também conhecidos por géisers – e ainda têm de aturar a Björk, mas não mereciam este impulso quase piedoso da nossa parte.

Há quem defenda que as competições ganham-se em crescendo, com a equipa a evoluir durante a prova… Eu cá preferia ter aviado três ou quatro cifrões nos tais nórdicos insulares e deixado Portugal com um claro superavit, excedente em golos, pontos e entusiasmo.

Se os 90 minutos de Ronaldo não brilharam e os 15 de Quaresma não bastaram, ao menos os pouco mais de 20 de Renato Sanches comprovaram: o rapaz tem de ser titular. Foi o único verdadeiro empreendedor, a tentar empurrar Portugal para a frente aproveitando ou não os escassos fundos europeus.

Mas as complexas leis – divinas? – do futebol e de mercado requerem paciência.

Depois do inesperado tropeço contra os vikings, só nos resta descarregar a nossa ira contra os Habsburgos e os Magiares, que há tempos até já foram um só. Então unidos pelo poder da espada e hoje separados pela força da moeda, pela língua e por três pontos na classificação...

Para já, a nossa vingança é a de que o sistema bancário deles, os islandeses, colapsou em 2008, enquanto o nosso está de boa saúde e recomenda-se! Oi!? O quê? Peço desculpa, afinal dizem-me aqui na redação que cada ação do BCP já vale menos de 2 cêntimos…

Malditos vikings!