Euro 2016

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O hotel de Jordão, Chalana e da Madame Margot

“Na Gaveta” desta quarta-feira reabrimos o baú de memórias do Euro 1984

Adriano Nobre

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A seleção portuguesa tem como quartel general da sua participação no Euro2016 o complexo de treinos da Federação Francesa de Râguebi, denominado Domaine de Bellejame, situado a cerca de 30 quilómetros de Paris, na localidade de Marcoussis.

Por via das dúvidas, o espaço foi reservado pela FPF até 10 de julho, dia da final do Europeu. E diz quem conhece o local que não será pela qualidade do 'domicílio' que Portugal não cumprirá o sonho: nada falta aos jogadores portugueses, desde relvados de primeira linha, infraestruturas desportivas e logísticas de topo, tranquilidade, segurança, isolamento ou conforto.

É bom que assim seja. Mas nem sempre foi assim.

Na primeira incursão portuguesa por europeus em terras francesas, em 1984, a escolha da FPF para primeira base da seleção recaiu na pacata cidade de Klingenthal, na Alsácia, já perto da fronteira com a Alemanha. O hotel, situado numa zona de campo, a 300 metros de altitude, tinha tudo para ser um pequeno paraíso. Não se desse o caso de estar também ocupado por outros hóspedes que já tinham reservado quartos antes da FPF.

Contam as crónicas da época que o facto de parte dos quartos estar ocupada por outros clientes – dado que Portugal só precisava de 27 dos 51 quartos disponíveis – apanhou de surpresa os próprios líderes da comitiva. Mas pelos vistos, nas visitas anteriores ao espaço para escolher e fechar o acordo, ninguém se terá lembrado desse pequeno pormenor de negociar a exclusividade do local.

Se essa falha foi atenuada pelo facto de a maioria desses hóspedes ser idosa – o que sempre garantiu algum sossego à comitiva portuguesa – houve outras falhas nesta fase inicial da organização lusa no Euro84 que motivaram protestos entre os jogadores. Nomeadamente a inexistência de televisor em vários quartos.

“Parece que é preciso pagar um depósito para ter televisão no quarto. Esperava melhor do hotel, mas para mim está tudo bem”, confidenciava o defesa-direito João Pinto ao correspondente d'A Bola, António Florêncio.

Menos conformado, o seu colega Jaime Pacheco não escondia que as condições de alojamento eram “pouco famosas” e “nada de acordo com o que normalmente é escolhido para equipas de primeiro plano”. Ainda assim, o próprio Pacheco fazia questão de relativizar a situação e explicar que não seria pela qualidade do hotel que Portugal deixaria de ter uma boa participação na prova. “Não sou nenhum grão fino e desde que tenha uma boa cama e uma boa mesa não me queixarei”. E assim foi. Até às meias finais.