Euro 2016

Perfil

Por onde andam os finalistas de 2004?

Cristiano Ronaldo, estrela maior do planeta futebol, e o veteraníssimo Ricardo Carvalho são os sobreviventes do Clube Portugal que adornou de bandeiras as janelas do país. Mas o que fazem ou deixaram de fazer os outros 21?

Isabel Paulo

Foto Getty

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Ricardo

Guarda-redes talismã de Luiz Felipe Scolari, por ele o Sargentão enfrentou anos de duras críticas, segurando-o na baliza mesmo quando Vítor Baía foi eleito guarda-redes do ano pela UEFA. O jogador do Sporting retribuiu-lhe a confiança ao defender um penálti e marcar outro da vitória contra a seleção inglesa. Foi guardião do Boavista, Bétis, Leicester, Setúbal e Olhanense. Arrumadas as chuteiras, há um ano apresentou uma candidatura sem êxito à presidência da Associação de Futebol do Algarve. É praticante de golfe, presença assídua em ações didáticas de escolas de formação de guarda-redes. E comentador da RTP neste Euro.

Quim

Firmou créditos em Braga com Manuel Cajuda, que o tinha por melhor guarda-redes português. Ganhou a confiança de Scolari em 2004, ano em que se mudou para a Luz. Perdeu a titularidade para Moretto e depois para Moreira sem abalar a confiança do inabalável brasileiro. Sagrar-se-ia campeão com Trapattoni e, depois, Jesus, até ser dispensado em direto, pela TV. Em 2010 voltou à sua casa de partida, sendo atualmente o dono da baliza do Desportivo das Aves.

Moreira

Acaba de assinar pelo Estoril Praia, após ter jogado em 2015/16 no Olhanense. O terceiro guarda-redes do Euro 2004 foi a surpresa que Scolari guardou na manga até ao fim, saltando dos sub-21 para a seleção A sem nunca ter estagiado com a equipa principal. Jogou no Benfica, Swansea e no AC Omonia de Nicósia, no Chipre.

Nuno Valente

Formado no Sporting, mudou-se de Leiria para a equipa estelar de José Mourinho no FC Porto, clube onde venceu a Taça UEFA em 2003 e em 2004 a Liga dos Campeões e Taça Intercontinental. Co Adriaanse encostou-o após uma lesão contraída na seleção. Aconselhado por Scolari, partiu para o Everton até ao final de carreira. Foi adjunto de Paulo Sérgio em Alvalade até optar pela função de observador de jogadores.

Paulo Ferreira

Originário do Vitória de Setúbal, foi um dos mais fiáveis defesas direitos do futebol português e inglês. Ganhou tudo o que havia para ganhar no FC Porto de Mourinho antes de Abramovich ter pago por ele 20 milhões de euros. Foi bicampeão nacional pelo Chelsea, clube que representou durante nove anos. Em 2013 passou a treinador das escolas do clube.

FRANCISCO LEONG

Ricardo Carvalho

Aos 38 anos é um caso sério de longevidade e um dos dois sobreviventes do Euro 2004. O mais velho jogador de campo a representar a seleção nacional abandonou o estágio da equipa nacional em 2011 após um desentendimento com Paulo Bento, tendo sido repescado a seguir ao Mundial do Brasil por Fernando Santos. O melhor central da Europa da época 2003/04 e uma das estrelas maiores do FC Porto da era Mourinho foi um amor à segunda vista de Scolari. No verão de 2004 protagonizou a maior transferência (30 milhões de euros) do futebol português ao mudar-se para o Chelsea, onde chegou, viu e venceu. Em 2010 tornou-se num dos galáticos do Real Madrid até se tornar num dos milionários do AS Mónaco desde 2013.

Jorge Andrade

Despontou no Estrela da Amadora, foi cobiçado pelo Benfica mas o FC porto levou a melhor. Após o Mundial da Coreia, rumou para o Deportivo da Corunha. Central seguro transferiu-se para a Juventus e em 2009, após treinar à experiência no Málaga, abandonou precocemente os relvados devido a uma grave lesão num joelho. Treinou os jovens do Belenenses e fez-se técnico principal no Oriental, equipa da qual poderá estar de saída após um final de época atribulado com vários jogadores suspeitos de envolvimento numa rede de apostas ilegais.

Fernando Couto

Central-chave da Geração de Ouro que venceu o Mundial de sub 20, teve três vezes o título nacional de dragão ao peito, tendo ainda sido campeão em Espanha e Itália. Duro em campo, tímido fora das quatro linhas ao ponto dos colegas dizerem que tinha dupla personalidade, migrou do Porto para Parma em 1994. Jogou ainda no Barça e na Lazio. Participou no Mundial de 2002 e em três europeus, o último em 2004, e tem o seu nome inscrito no "onze" do século do futebol português. Foi adjunto de Jesualdo Ferreira em Braga, onde ocupou também o cargo de diretor para o futebol. Tornou-se o mais caro treinador da Liga indiana, quando em 2012 orientou o Calcutá Kolkata.

Beto

Duas vezes campeão pelo Sporting, participou em dois europeus e no Mundial de 2002. Jogou no Bordéus, no Recreativo de Huelva e Belenenses. Regressou ao Sporting como diretor de Relações Internacionais, função que desempenhou até 2013.

Clive Mason/Getty

Tiago

Ainda no ativo no Atlético de Madrid, esteve quase toda o ano de quarentena devido a uma grave lesão ao joelho. Anunciou por carta o abandono da seleção em 2011. Deu nas vistas em Braga, transferiu-se para a Luz, Chelsea, Lyon e Juventus.

Rui Jorge

Ex-jogador do FC Porto, Sporting e Belenenses estreou-se como treinador no Restelo antes de integrar os quadros técnicos da FPF. O selecionador olímpico sagrou-se vice-campeão da Europa de sub-21 há um ano.

Petit

Debutou como treinador no Boavista, onde foi campeão em 2001, e fez esta época um verdadeiro milagre no Tondela. Jogou no Bessa, na Luz, e no Colónia, sempre nos limites, o que lhe valeu a alcunha de Pit Bull.

Costinha

Após uma experiência curta como diretor desportivo do Sporting, treinou sem glória o Beira Mar e Paços de Ferreira em 2013. Sem clube, integra o painel de comentadores do Europeu de França da RTP. Pela mão de Jorge Mendes saltou do Nacional para o Mónaco, onde era tratado por "Ministro" por ter a mania dos fatos. Ganhou a Taça UEFA e a Liga dos Campeões no FC Porto, que trocou pelo Dínamo de Moscovo. Atuou no Atlético de Madrid e Atalanta. Nunca mais foi feliz como na Invicta.

FOto JAVIER SORIANO/Getty

Miguel

O lateral que que os encarnados contrataram ao Estrela da Amadora a preço de saldo, pegou de estaca na seleção entre 2003 e 2010, foi campeão pelo Benfica e protagonizou uma rocambolesca novela no defeso de 2005 ao forçar a saída para o Valência depois de tudo acertado para jogar no Dínamo de Moscovo. A sua atração pelo lado errado da vida acabou nas primeiras páginas dos jornais, apanhado com álcool a mais ou envolvido em cenas de violência e tiroteio numa discoteca do Seixal. Sem clube, integrou no há dois anos o estágio para desempregados do Sindicato dos Jogadores, antes de ter optado por ser afastar do futebol.

Rui Costa

Chegou à Luz aos 9 anos, convencendo de pronto Eusébio. Campeão do mundo de sub 20 em Lisboa, em 1991, o amado camisola 10 do Benfica fez-se maestro de luxo na Fiorentina e AC Milan, regressando a casa por amor à camisola em 2006. Autor de um golão inesquecível frente a Inglaterra, despediu-se da seleção no Euro 2004 em lágrimas na final da maldição grega. O discreto diretor desportivo do Benfica tem sido o braço direito de Luís filipe Vieira, que lhe deu assento na administração da SAD encarnada.

Maniche

Desempregado. Integrou a equipa técnica de Costinha que treinou o Paços de Ferreira em 2013. O génio a quem Mourinho deu rédeas no Dragão demorou a convencer Scolari. Depois de erguer a Champions pelo FC Porto, revelou-se a pedra-motriz da seleção, marcou o mais belo do Euro 2004 à Holanda e integrou o dream team da prova. Seguiu para o Dínamo de Moscovo, jogou no Chelsea sem fulgor e disse adeus ao futebol no Sporting.

Deco

Gorada a quimera de jogar na equipa canarinha, naturalizou-se português em 2003 pela mão do seu compatriota Luis Filipe Scolari. O mágico Deco arrecadou todos os títulos nacionais e europeus ao seu alcance pelo FC Porto, antes de sair para o Barça onde se sagrou bicampeão espanhol. Chegou a Portugal via Benfica, que o emprestou ao Alverca e ao Salgueiros até aterrar nas Antas. Jogou no Chelsea e no Fluminense e disse adeus ao futebol numa noite memorável de 2014, no Dragão, numa partida em sua homenagem que colocou frente a frente os campeões europeus de 2004 e os de 2006. Na festa, Deco, como Vítor Baía, jogou pelos portistas e pelo Barça, ao lado de Messi. Atualmente é uma espécie de empresário, colaborando com Jorge Mendes no mercado brasileiro.

Foto Philipp Schmidli/Getty

Figo

Formado nas escolas de futebol, foi um dos mais notáveis jogadores portugueses, estrela da ínclita geração de Carlos Queiroz, jogou no Barça e protagonizou uma das mais polémicas transferências do futebol espanhol ao mudar-se para o arquirrival Real Madrid. Ganhou a Bola de Ouro em 2001 e todos os troféus que havia para conquistar a nível de clubes. No ocaso da carreira jogou e foi dirigente no Inter de Milão com Mourinho no banco. Empresário do ramo do imobiliário ligado ao turismo, criou em 2003 a Fundação Figo, organização sem fins lucrativos de intervenção social e foi recentemente eleito vice-presidente do Comité para o Desenvolvimento da FIFA.

Simão Sabrosa

'Made in Alvalade', protagonizou aos 19 anos uma transferência de 15 milhões para o Barcelona. Depois do fracasso catalão mudou-se para o Benfica, onde foi a joia da coroa de meados da década de 2000. O extremo globetrotter jogou no Atlético de Madrid, no Besiktas e no Espanhol até partir na época passada para o North East United, da Liga indiana. Aos 36 anos é pretendido por José Couceiro para reforçar o Vitória de Setúbal.

Pauleta

O melhor marcador de Portugal até o fenomenal Cristiano Ronaldo rebentar com todos os recordes é vice-presidente da FPF, responsável pelo pelouro das seleções jovens. Nunca alinhou na I Liga portuguesa, tendo-se distinguido no Salamanca, Corunha, Bordéus e PSG. Em França foi eleito melhor jogador por duas vezes e, em São Miguel, sua terra natal, construiu uma escola de futebol com o seu nome.

Postiga

Prestes a celebrar 34 anos, ainda está para dar e durar no Rio Ave. Foi um dos indefectíveis de Scolari, venceu a Taça UEFA pelos portistas, mudou-se para o Tottenham e tornou-se num autêntico globetrotter do futebol global ao vestir a camisola de 11 clubes, entre os quais Panathinaikos, Valência ou Lazio, a penúltima do Atlético Kolkate, na longínqua Super League indiana.

Nuno Gomes

Diretor do futebol de formação do Benfica, chegou à Luz aos 19 anos, vindo do Boavista. Transferiu-se para a Fiorentina e regressou à Luz a custo zero após a falência do clube italiano, tornando-se o mais caro ativo da equipa até dar o salto para o Braga e, por fim, para o Blackburn Rovers.

Foto FRANCISCO LEONG/Getty

Cristiano Ronaldo

Aos 19 anos, era a mais jovem estrelinha da seleção de 2004 e já um fenómeno de vendas de merchandising em Old Trafford. O herdeiro da camisola 7 de Beckham no Manchester United bateu todos os recordes do mundo do futebol ao transferir-se por 96 milhões de euros para ao Real Madrid. Três vezes vencedor da Bola de Ouro, o madeirense que chegou a Alvalade miúdo é o primeiro futebolista a liderar a milionária lista da Forbes, com ganhos anuais de 77,2 milhões de euros. Avaliado em 104 milhões de euros, a planetária marca CR7, com mais de 100 milhões se seguidores no facebook, vale mais do que nove das seleções presentes em França.