Euro 2016

Perfil

Enquanto há Vida, há esperança

A República Checa empatou com a Croácia no limite dos limites, num penálti após mão do jogador croata. Ficou 2-2.

Pedro Candeias

PHILIPPE DESMAZES

Partilhar

A República Checa não podia ir a jogo com o talento, a não ser que recuasse no tempo para resgatar o Nedved, o Koller, o Smicer e o Milan Baros para os pôr ao lado do Rosicky ou do Cech. Mas como o DeLorean é um carro americano e o que eles têm é um Skoda (literalmente, têm um tipo chamado Skoda), a hipótese de voltarem atrás para dar o passo em frente era a modos que improvável. Portanto, os checos tinham de ir por outro lado, pela vontade, porque só com muita boa vontade conseguiriam ultrapassar a notável geração de futebolistas que a Croácia conseguiu reunir: Rakitic, Modríc, Kovacic, Perisic, Mandzukic.

Foi por isso que este jogo começou por ser monótono e previsível. Os croatas chegaram a ter 63% de posse e nove remates contra nenhum dos checos. Num desses remates, Perisic fez o 1-0 e toda a gente achou aquilo normal, provavelmente até os checos, porque continuaram na deles, entregados a um adversário que se mexia melhor e a uma velocidade superior à sua.

Mas houve uma coisa que mudou depois do intervalo. De repente, quando fez o 2-0, a Croácia parou, bloqueou, congelou, e eu podia estar aqui a listar verbos diferentes com significados semelhantes para explicar o que aconteceu: os croatas travaram. Talvez tenham achado que o jogo estava demasiado fácil e que mesmo com todas aquelas oportunidades falhadas seria impossível aos checos recuperaram de uma desvantagem tão grande, igual ao desnível de talento que havia entre ambos. Talvez tenha sido a soberba. Ou talvez a soberba reação dos checos que têm dentro deles o que não se compra no supermercado: o orgulho. Chegaram ao 2-1, por Skoda, e acreditaram que podiam chegar ao empate mesmo após a paragem de jogo forçada pelas tochas atiradas ao relvado pelos 'adeptos' croatas. Num lance estúpido, Vida deu a mão aos checos - e salvou-os da morte certa neste Euro, quando Necid fez o 2-2, de penálti.