Euro 2016

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No Zlatan, no party

A Itália anulou Ibrahimovic e ganhou à Suécia por 1-0. Está nos oitavos de final

Pedro Candeias

PASCAL GUYOT

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Dava-me jeito que os inventores do ábaco e da máquina de calcular tivessem sido dois italianos, mas não foram. O ábaco vem dos tempos da Mesopotâmia e a primeira calculadora chamava-se Pascaline, da autoria de Blaise Pascal, o filósofo que um treinador português dado a citações gosta de citar - e ambos têm tanto de italiano quanto eu.

Portanto, a única ponte que vejo aqui e que me serve para arrancar este texto é o francesismo, como diria o Eça, de Pascal, porque este Europeu se disputa em França e há uma equipa que é óptima no jogo das somas, das subtrações, das divisões e das multiplicações - a seleção italiana.

Vejamos o seguinte: a Itália entrou em campo contra a Suécia sabendo que toda junta valia mais do que Ibrahimovic, porque um homem não são onze homens, um raciocínio simples, aritmético, mas de que muita gente se esquece - muita gente, claro, menos os italianos. Pois então, o que Conte e os seus ragazzi fizeram foi tentar reduzir (é um sinómimo de subtrair) ao máximo a influência de Zlatan Ibrahimovic, apertando-o ora com Chiellini ora com Bonucci, mas sobretudo com o primeiro que seguiu o sueco para todo o lado. Até para o meio-campo, quando Ibra se queria libertar da marcação e procurar construir o jogo sueco lá de trás.

O problema é que Ibra não se pode multiplicar em dois, deslocar-se como o Super-Homem: Ibra não pode passar a bola a Ibra, desmarcar-se, cruzar para Ibra e marcar o golo. O gigante foi agarrado, cercado, picado e posto fora da zona de conforto - e, atenção, que ele tem muitas zonas de conforto porque não há nada que ele pareça não conseguir fazer com uma bola nos pés.

Com Ibrahimovic fora da equação, a Itália jogou com os minutos e o relógio e os pontos já amealhados (amealhar é como somar). Como tinha uma vitória diante da Bélgica, um empate não poria em causa a qualificação para a os oitavos de final num Europeu de 24 equipas e em que os quatro terceiros melhores classificados passam a fase grupos. Para a Itália, havia sempre tempo. E foi então que pareceu dividir-se (lá está, o ábaco e a máquina de calcular) em duas: na primeira parte foi amplamente cínica; na segunda parte procurou atacar por ter percebido que a Suécia não iria a lado algum já que ninguém, nem Ibra, consegue estar em todo o lado.

E então, apesar de coxa, porque Parolo jogou à esquerda sendo destro, a squadra azzurra aproveitou as abébias dos suecos, cada vez menos nórdicos e mais impacientes para chegarem ao golo. Pressionou mais alto, roubou a bola mais à frente, acelerou, disparou uma bola ao poste e, à italiana, marcou ao minuto 88 pelo menos italiano dos jogadores - Éder Martins, o brasileiro naturalizado. Depois, é fazer as contas: seis pontos, automaticamente qualificados para os oitavos de final.