Euro 2016

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O onze ideal, versão 1.352.078 (o meu)

O Diretor Executivo do Expresso diz que há um treinador de bancada em cada um de nós. E por isso arriscou qual deve ser a equipa de Portugal para o jogo contra a Áustria

Martim Silva

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Se quer três opiniões diferentes sobre o futuro da economia nacional e se vamos ou não cumprir o valor do défice que está no OE, basta juntar dois economistas.

Se pretende quatro pareceres jurídicos opostos basta pedir a um conjunto de advogados.

Se a ideia é fazer o onze ideal da selecção nacional para o Euro, e conseguir qualquer espécie de consenso sobre o assunto, então o melhor mesmo é não juntar um grupo de portugueses numa discussão à volta do tema, porque o mais certo é ter tantas combinações possíveis quanto o número de bocas que participam na conversa (ou melhor, ainda mais combinações do que bocas, já que o ‘tuga’ pode alegremente argumentar com dois onzes diferentes e garantir com firmeza que cada um deles é o que Fernando Santos tem mesmo de apresentar face à Áustria).

Antes do Euro começar, a discussão foi intensa (ainda que mitigada pelo clima de euforia geral). Mas já se debatia a ‘problemática’: Vieirinha ou Cédric; Raphael ou Eliseu; William ou Danilo; Nani ou Quaresma; Moutinho ou Adrien ou Sanches; Rafa ou André Gomes…. Uffff, enfim, tantas dúvidas quanto as que possa imaginar e ainda algumas que não ousou sonhar.

Ora, depois do primeiro jogo, os mesmos que juravam que Danilo era indiscutível garantem agora que William é que é o gajo certo. Que o Vieirinha não serve e Cédric é a melhor escolha. Que Moutinho está gasto. Que o José Fonte tem um jogo de cabeça espectacular. And so on…

Em boa medida, o onze tanto nos faz desde que o resultado seja a vitória. Aprendi isso com os anos de cadeira cativa em Alvalade, em que tanto ouvia assobios ao Nani como aplausos de pé quando sacava um daqueles golos (muitas vezes na mesma partida).

Se com os mesmos que jogaram frente à Islândia ganharmos à Áustria, o génio de Fernando Santos soube resistir a quem, ígnaro, clamava mudança. Se com outros voltarmos a escorregar, Fernando Santos, estulto, não conseguiu estabilizar um onze ideal e fez mudanças que não resultaram.

Para os portugueses, o onze ideal da selecção nacional não é um. São 1.352.078. Um milhão, trezentos e cinquenta e dois mil e setenta e oito, ou seja, tantas combinações possíveis entre os 23 quantas a matemática permite (que me perdoem os matemáticos, dado que a coisa não é exactamente assim porque há três guarda-redes e só um pode jogar de cada vez e também não podem jogar oito defesas na mesma partida, etc, etc).

Portanto, e para não entrar no jogo e para evitar mais confusões e que o debate se torne interminável, proponho que o onze ideal da selecção nacional para o próximo jogo seja… o meu:

Rui Patrício

Vieirinha

Ricardo Carvalho

Pepe

Raphael Guerreiro

(sim, não mudo nada na defesa, se defendemos mal é porque a equipa defendeu mal e os que estão de fora não são melhores)

Danilo

William Carvalho

Renato Sanches

(há muito que defendo um meio-campo à francesa, super forte e intenso fisicamente, de forma a dominar o jogo naquela área do terreno e a libertar os atacantes de tantas tarefas defensivas)

Nani

Quaresma

Cristiano Ronaldo

(não é necessariamente o regresso ao 4-3-3, porque um dos alas pode jogar a segundo avançado e o outro ficar numa ala)

E para provar a firmeza das minhas convicções e a minha coerência, posso garantir ao estimado leitor que a partir da semana que vem cá estarei para defender estes onze, faça chuva ou faça sol. Quer dizer, este onze ou outro qualquer…