Euro 2016

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A dois minutos de acreditar em fadas e duendes

O jogo acabou 1-1, mas durante muito tempo pensámos que a Islândia ia mesmo ganhar. A Hungria, nosso próximo adversário, mostrou que o que fez no primeiro jogo não foi por acaso.

Expresso

ATTILA KISBENEDEK

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Consegue levar a sério alguém que acredita em gnomos, duendes e fadas? De acordo com o floclore islandês, existem seres que habitam um mundo paralelo que é invisível ao olho humano, e podem ser só observados se se quiserem dar a ver.

Estava eu a imaginar um série de gnomos e duendes de volta de uma fogueira a fazerem uma dança qualquer e um sem número de fadas a esvoaçar sobre o estádio Velodrome em Marselha a deitar pozinhos de perlimpimpim quando a Hungria marcou o golo quase no último minuto e tudo se desfez. Caí na realidade. Não houve milagre.

A seleção islandesa pouco fez para se ver em vantagem, isto é, tirando o seu espiríto de luta, garra e aquele estilo guerreiro tão próprio, nada tinha feito para merecer o golo, de penálti, aos 30 minutos caído do céu aos trambolhões. Sigurdsson mandou Király para um lado e rematou para o outro. Sem espinhas.

Os húngaros fizeram uma primeira parte muito boa. As mini-sociedades que formam no meio-campo faz com que troquem a bola com muita facilidade em constantes tabelinhas sempre em progressão. Aquele jovem jogador com cara de veterano é muito bom jogador. Fixe o nome (se conseguir), Kleinheisler.

O golo islândes afetou um pouco a moral dos húngaros. Foram-se um bocado a baixo, mas nem assim deixaram de ser superiores.

O intervalo veio mesmo a calhar. Para os islandeses porque quanto mais rápido viesse o intervalo mais perto do fim estavam e para os húngaros porque precisavam de reunir e redefinir estratégias.

A segunda parte foi uma réplica da primeira. Os húngaros melhores, no entanto, faltando-lhes definição no último terço do campo. O avançado que fez o primeiro golo no jogo contra a Áustria, Szalai, entrou só aos 85 minutos e dentro da área faltou algo durante o jogo.

Eidur Gudjohnsen entrou, logo com a braçadeira de capitão, e tinha como missão segurar a bola e dar critério ao jogo da Islândia que não sabe o que fazer com a bola junto à relva.

O jogo, de pontapé para a frente, que tão bom resultado teve contra a nossa seleção, não existiu e Sigthórsson nem se viu. Apesar daquele corpanzil todo.

Já todos esperavam mais um milagre da Islândia, quando Sævarsson, ao tentar alterar o caminho da bola que já ia para a baliza, a empurrou lá para dentro. No cronómetro estavam 88 minutos contados

Os húngaros mereceram este prémio. Ao nosso cuidado: Nagy, Kleinheisler, Dzsudzsák tratam muito bem a bola.