Euro 2016

Perfil

Arnautovic: Carros, tatuagens, silicone e golos

A Áustria não é só de Alaba e de Fuchs, também é de Arnautovic, um gigante rebelde que joga a extremo e que nos faz lembrar Ibrahimovic.

Pedro Candeias

Arnautovic, no Stoke City, onde finalmente está a assentar

Michael Regan

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Começa assim:

Arnautovic ligou a Eto’o a contar que tinha tirado a carta de condução e estava a pensar comprar um carro e Eto’o perguntou-lhe se não queria dar umas voltas no Bentley que estava a querer vender. Arnautovic não respondeu que não e guiou o Bentley de Eto’o durante duas semanas, limpando-o, aspirando-o, lavando-o, mantendo sempre impecável. Um dia, ele e uns amigos foram jantar a um restaurante e quando Arnautovic achou que era hora de voltar a casa ao volante do Bentley de Eto’o que seria seu porque estava a gostar da experiência, o carro não estava. Tinha sido roubado. Aquilo caiu-lhe tão mal que deve ter ligado umas cem vezes, de manhã e à noite, a pedir desculpa a Eto’o enquanto o camaronês o sossegava e lhe dizia que não tinha sido culpa dele.

Foi uma novidade para Arnautovic. Desta vez estava ilibado.

Houve várias outras coisas estranhas que lhe aconteceram na vida que foram culpa dele. Por exemplo, quando começou a jogar futebol, Arnautovic, filho de pai sérvio e mãe austríaca, pulou de clube em clube não porque fosse mau de bola, mas porque era mauzinho de feitio. Era um “pensador livre” e tinha “problemas de comportamento”. Má rês, com muito talento dentro de um corpo corpulento e cara de poucos amigos, a fazer lembrar aquele a quem o iriam comparar no futuro - Zlatan Ibrahímovic.

Com 17 anos, Arnautovic foi para os juniores do Twente e depois passou para os seniores do Twente, onde chegou a ser treinado por Steve MccLaren. “Ele é tipo mais maluco que alguma vez conheci”, disse MccLaren. Dali foi para o Inter de Milão onde se amigou com Balottelli e se chateou com Mourinho; e de Milão foi parar a Bremen e de Bremen para Stoke, deixando atrás dele um lastro de histórias rocambolescas.

Capotou um carrinho de golfe. Destruiu um joelho a brincar com o cão e para não se deprimir decidiu sair cinco noites por semana. Foi apanhado às tantas da manhã em excesso de velocidade em dia de jogo. Andou ao soco com um defesa do Werder Bremen. Disse a um polícia que o dinheiro que ganhava era tanto “que podia comprar-lhe a vida”. Deu uma entrevista em que confessou um gosto especial por mulheres com tatuagens e implantes de silicone. Resumindo, nas palavras de Balotelli, quando o austríaco foi contratado pelo Stoke: “O Arnautovic faz com que eu pareça um santo”.

Arnautovic sabe que não é um santo. Sabe, sobretudo que o austríacos o tomam de ponta por causa da rebeldia que ele garante ter ficado no passado quando lhe nasceu a filha. “Eu sei que, se as coisas correrem bem, é por causa do Alaba, é um anjo. Se correrem mal, a cupla minha porque eu sou… um merdas”.

Não será tanto assim. Este ano disputou 34 jogos, fez 11 golos e fixou-se na esquerda do Stoke City, baralhando os defesas com o seu jogo ambidextro e os seus remates poderosos. Para alguém que mede 1,92m e pesa 90 kg, Arnautovic mexe-se muito e bem.

Portugal terá de fazer mais e melhor.


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