Euro 2016

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Ele é o 4x4x2 e o 4x3x3. Ele é a bola que não entra e o capitão que não marca

Portugal criou as oportunidades suficientes para ganhar este jogo mas não o fez. Houve bolas no poste, penálties falhados e Cristiano Ronaldo a não fazer o que devia

Pedro Candeias

MARTIN BUREAU

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Rui Patrício

Terá tido tempo para tudo, até para perceber como se soletrava Baumgartlinger. Os austríacos atacaram pouco e quando o fizeram atacaram mal. Fez uma boa defesa ao remate de Harnik no minuto 46 e pouco mais fez.

Vierinha

Apanhou pela frente o bad boy Arnautovic e não esteve mal a defendê-lo, até porque o austríaco continua a arrastar-se como se estivesse a fazer um frete. Deu uma ajudinha a Patrício ao fazer um corte acrobático dentro da grande área, mas valeu de pouco a Ronaldo e companhia - o problema de Vieirinha foi não ter acertado um ou dois cruzamentos.

Pepe

Quando não se faz à falta e não perde a cabeça, Pepe ainda é um dos melhores neste negócio do defender ao meio. Rápido e ágil, distraiu-se aqui e ali na marcação a Harnik, mas nada que pusesse em causa a estabilidade da equipa.

Ricardo Carvalho

Este não se faz à falta nem perde a cabeça e apesar dos 38 anos e das rugas e das dores que sentirá num corpo já batido, é imbatível a jogar na antecipação - sobretudo quando apanha futebolistas que pensam mais devagar do que ele. Pelos vistos, devem ser muitos.

Raphaël Guerreiro

Um tipo não precisa de falar português de Portugal nem cantar o a Portuguesa ipsis verbis para saber o que significa o que é isto de jogar por um país num Europeu. Tem confiança, ataca, defende, procura colegas para triangular, e vai à linha e cruza. Convém não esquecer que a meio da semana, Guerreiro foi ali e voltou para fazer exames médicos - e assinou pelo Dortmund.

William

Tem uma vantagem óbvia sobre Danilo (a quem substituiu) que é o de pensar melhor e mais depressa o jogo. Passa a bola para todo o lado, distribui o jogo, varia o flanco, sobe e desce, vai à esquerda e à direita - enquanto tem pulmão. Quando as pilhas se acabaram o seu raio de acção ficou-se pelo perímetro do volume do seu corpo.

Moutinho

Dizia-se que era o primeiro a saltar do onze mas foi provavelmente o último a sair do campo no jogo de hoje. E como é que ele esteve? Melhorzinho do que contra a Islândia, porque a Áustria dá mais espaço e isso permitiu-lhe andar com pezinhos de lã à procura dos colegas e dos adversários. Mas este Moutinho não é o Moutinho que nos encantava, que tinha a capacidade de soltar a bola na hora certa quando via um companheiro a desmarcar-se. A UEFA acha que não, e deu-lhe o título de melhor em campo - mas esta é a mesma UEFA que pôs Ronaldo na equipa da semana após a primeira ronda do Europeu.

André Gomes

Porque Fernando Santos mudou do 4x4x2 para o 4x3x3, André Gomes jogou na posição que mais gosta, um misto de número oito/dez. André tem um bom arranque e um bom drible e um bom remate, mas contra a Áustria só viram os dois primeiros e nunca o terceiro.

Nani

Aquele cabeceamento à trave foi o melhor momento de Nani durante este jogo. Mexido, é verdade, com pêlo na venta, também, mas um pouco confuso e trapalhão quando encontrava as pernas dos adversários. Na segunda-parte foi perdendo o tino.

Quaresma

Aquele jogo contra a Estónia elevou-o à categoria de talismã, o tipo que estaria em campo para desviar as atenções (e as marcações) de Ronaldo, com aquele futebol vistoso e habilidoso. Quaresma não esteve muito mal, mas também não esteve muito bem, foi assim-assim, e quando assim é todos ficam a perder. Até Ronaldo.

Ronaldo

Um penálti falhado, um golo marcado em fora de jogo, um bom remate de pé esquerdo, dois cabeceamentos à baliza e um sem número de más decisões. A partir do momento em que Ronaldo perde para os adversários no corpo a corpo e no sprint, está tudo dito - apesar de ninguém o dizer, Ronaldo não está bem. Nem se recomenda.

João Mário

Entrou para o lugar de Quaresma e procurou jogar por dentro e por fora, mas nada acrescentou ao jogo.

Éder

No minuto a minuto do Expresso há três menções a Éder que dizem o seguinte: que estava no banco de suplentes, que entrou para o lugar de André Gomes, e que ia participar no segundo jogo neste Europeu. Pronto. E é tudo.

Rafa

O último dos suplentes a entrar podia ter sido o primeiro, porque trouxe velocidade e mexeu com o marasmo e falta de objetividade. Para Rafa, o caminho mais rápido entre dois pontos é uma linha reta. Dois foram os pontos que Portugal perdeu.

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