Euro 2016

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Às costas dos outros vejo as minhas costas

O França-Suíça foi um jogo de espelhos com os olhos no relógio. As duas melhores equipas do Grupo A correram q.b. e estão ambas qualificadas para os oitavos de final

Pedro Candeias

DENIS CHARLET

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A França tinha duas vitórias e a Suíça uma vitória e um empate . A França já estava nos oitavos, a Suíça estava quase lá, e como só uma improvável combinação de resultados deixaria os suíços fora do Euro, este jogo era, à partida, simpático. Primeiro, porque seria disputado entre as duas melhores equipas do Grupo A. Segundo, porque num Europeu com 24 equipas que tem muitas classificações embrulhadas (e em que passam os quatro terceiros melhores classificados) é difícil fazer uma gestão marota do último jogo, do estilo vamos-lá-empatar-este-jogo-para-não-apanhar-a-Alemanha.

Dito isto, o França-Suíça foi comezinho e já vamos explicar porquê. Deschamps decidiu que era tempo de dar tempo aos menos utilizados e de dar descanso aos titulares. Logo aí, sem Payet de início, o jogo iria perder, sei lá, 40 ou 50% da piada, porque quase tudo o que de bom tem sido feito pela França tem a autoria do médio. Além disso, Deschamps também deixou Girou e Kanté e Matuidi de fora, e pôs Cabaye, Sissoko e Gignac; felizmente, não tocou em Pogba, porque se o tivesse feito não teríamos visto três coisas: dois remates incríveis que foram defendidos por Sommer e pela trave; e aquele salto acrobático às cavalitas de Embolo. De resto, o que mais há a dizer sobre a primeira-parte? Ah, sim, as três camisolas da Suíça que se desintegraram com leves puxõezinhos. Pronto.

Que viesse a segunda parte.

E ela veio, pouco formosa e muito segura. Tal como na primeira parte, a França procurou dar um ou outro esticão, como se quisesse espantar o sono e contrariar a preguiça de um jogo que parecia estar ganho, mas era um esforço descontinuado. - como aquele, de Sissoko, que correu como Bolt, cruzou para o pé direito de Payet e a bola foi parou na trave.

Já os suíços sabiam que a Albânia estava a ganhar à Roménia do outro lado e que as contas estavam então feitas e fechadas do lado deles, por isso deixaram-se ir no rame-rame do relógio, enquanto se perguntavam de que raio de material seriam feitas as camisolas que se rasgavam ao mínimo toque: Xhaka foi o quarto helvético a mostrar o cabedal sem querer.

E o jogo acabou assim, com a França e a Suíça nos oitavos de final. Se quiser ler uma história melhor, sugiro que vá aqui ao lado ler a crónica do Roménia-Albânia.

Clive Mason

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