Euro 2016

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Nuestros hermanos caem aos pés de Perisic

O nº4 foi a grande figura da partida ao apontar o golo que consumou a reviravolta croata por 2-1 e deixa a Croácia no primeiro lugar do grupo. A Espanha olha agora para um confronto com a Itália nos oitavos

Tiago Oliveira

Michael Dalder/Reuters

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Doze anos e 14 jogos. Foi o tempo que a Espanha passou sem uma única derrota em campeonatos europeus. Tínhamos de voltar a 2004, antes da crise e do Facebook , quando o país vivia a euforia ao som de Nelly Furtado e um golo de Nuno Gomes votou nuestros hermanos à derrota. Desde então, dois títulos europeus e só quatro golos sofridos. Um recorde histórico que chegou esta terça-feira ao fim com a vitória por 2-1 dos croatas.

Uma vitória conseguida praticamente no final do jogo por intermédio de Ivan Perisic, num jogo recheado de polémica, emoção, incerteza no resultado e um penálti falhado por parte de um dos vilões favoritos do futebol, Sérgio Ramos. A escolha do capitão espanhol, tendo em conta a presença de outros especialistas na arte da grande penalidade foi, no mínimo, surpreendente e promete dominar as conversas em Espanha.

Numa equipa famosa pela sua capacidade de controlo de jogo, o golo madrugador não fazia antever este desfecho em Bordéus. Logo aos sete minutos, uma fantástica triangulação ao primeiro toque colocou os espanhóis em vantagem. Serpentear de David Silva, passe a rasgar para Fabregas, bola por cima do guarda-redes e toque final de Álvaro Morata. Três toques e golo para o avançado que chegou aos três tentos na competição no dia em que se tornou oficial o seu regresso ao Real Madrid.

Se a nível ofensivo, o ‘tiki taka’ continuava a dar ao mundo o habitual carrossel de passes e trocas posicionais a que nos habituou, a defesa mostrou-se desde cedo propensa a erros pouco habituais e que acabariam por se revelar fatais. Num espaço de poucos minutos, três perdas de bola no setor mais recuado resultaram em oportunidades para a Croácia, com destaque para uma bola à barra num chapéu com nota artística de Ivan Rakitic.

A toada manteve-se ao longo da primeira parte com a Espanha a comandar as operações, mas a parecer suscetível atrás à pressão croata. As cinco alterações feitas por Ante Cacic e a ausência por aparente lesão da estrela Modric não se fizeram notar na coesão da equipa, que estava a responder bem ao dececionante empate por 2-2 na ronda anterior. A recompensa chegou perto dos 45 minutos, quando Kalinic aproveitou um bom trabalho de Perisic para, de calcanhar, dar o
empate.

Duas caras

Vicente del Bosque manteve a confiança no onze que tinha iniciado os dois primeiros encontros e isso refletiu-se com o avançar da segunda parte. O cansaço da Espanha tornava-se cada vez mais evidente e os croatas ameaçaram mais com direito a oportunidades evidentes. Nolito deu lugar a Soriano para acalmar o jogo e, quando nada o fazia prever o árbitro anunciou um derrube a David Silva na pequena área aos 72 minutos. O lance seguiu-se a um aparente penálti na área espanhola provocado por Sérgio Ramos e foi alvo de muitos protestos. Coube ao próprio a marcação da grande penalidade, que esbarrou na luva esquerda de Subasic. Ouviam-se os gritos croatas de punhos, perante a desilusão espanhola.

Mas o pior ainda estava para vir. Galvanizados pela oportunidade desperdiçada e pela vitória da Turquia no jogo com a República Checa (que garantia, pelo menos, o segundo lugar no grupo), a Croácia partiu em busca do golo que significava o primeiro lugar. Foi aos 87 minutos que chegou, quando num contra-ataque fulminante, Perisic respondeu ao passe em profundidade de Kalinic com um remate certeiro para o fundo das redes de De Gea.

Até final, ainda houve tempo para um corte em desespero de Corluka no último segundo de jogo a impedir o empate espanhol e a lançar o delírio junto de jogadores e adeptos. A derrota confirma a Croácia como uma seleção a ter em conta e atira nuestros hermanos para o segundo lugar do grupo D. Agora, vem aí uma reedição da final do Euro 2012 com uma Itália que tem surpreendido. A resposta de uma Espanha de duas caras segue dentro de momentos.