Euro 2016

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Até sempre, Zlatan

No jogo que marcou a última internacionalização de Ibrahimovic, a Suécia perdeu por um 1-0 frente a uma Bélgica que garantiu assim o apuramento para os oitavos de final. Naingollan estabeleceu o resultado

Tiago Oliveira

Laurence Griffiths/ Getty Images

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“Habitualmente dizem que é preciso morrer para nos tornarmos uma lenda. Mas eu sou uma lenda viva.” Sem papas na língua, como é seu apanágio, esta é apenas uma das muitas pérolas que Ibrahimovic utiliza para se descrever (Outra? “Está a olhar para Ele [Deus].” Para mais, não se coíba de ler também este artigo. 115 internacionalizações e 62 tentos depois, o melhor marcador de sempre da Suécia disse adeus à carreira internacional, com uma derrota por 1-0 que dita o afastamento da sua equipa do Euro 2016.

Para o filho de imigrantes em Malmo, que só não abandonou o futebol para trabalhar nas docas por causa de um apelo no treinador, a noite acabou de forma inglória e sem um golo para colorir o adeus. Não foi por falta de tentativa, com os habituais remates de pronto e as toques de magia a que habituou. Mas a pontaria e Courtois não foram convidados para a festa.

Vitória. Era o único resultado que servia as aspirações suecas após os desapontantes jogos com Irlanda e Itália dos quais se retiravam um ponto, zero golos e nem um remate enquadrado com a baliza. Uma semente de promessa pareceu pairar no ar, quando esta última estatística desapareceu logo aos 5 minutos. A única alteração nórdica face ao último jogo, Berg, apanhou uma bola perdida na pequena área e rematou na direção das redes belgas. Valeu o guardião.

Já a Bélgica enfrentava o jogo sem o peso de estar prestes a perder um ícone, a contar com uma geração nova que desponta ao mais alto nível e a jogar com um empate que bastava para as suas aspirações. Os diabos vermelhos do mundo das seleções começaram assim a partida com um misto de caução e arrojo que permitiu manter sempre a defesa sueca (com o nosso velho conhecido Lindelof, do Benfica) em alerta.

‘Faca de dois legumes’

Apesar da obrigatoriedade do triunfo para a Suécia, coube aos belgas o maior volume de jogo e as oportunidades mais claras. O excêntrico Radja Naingollan era a cara nova no onze e impunha as suas regras num meio campo, o que libertava os maestros De Bruyne e Hazard para as suas habituais incursões calculistas.

O talento (e altura) de Zlatan funcionavam como um farol para a equipa, que procurava invariavelmente o seu talismã. Sem virar a cara à luta, a sua força de vontade não foi suficiente para dar a vantagem à equipa, que ao longo da
primeira parte não mostrou arte e engenho suficientes para incomodar consistentemente a Bélgica. Empate a zero sem grandes surpresas.

O arranque da segunda parte trouxe uma Suécia mais afoita e capaz de colocar mais problemas a Courtois e companhia limitada. Uma ‘faca de dois legumes’, como diria Jaime Pacheco, porque a aposta ofensiva libertou mais espaço para os perigosos atacantes belgas. Enquanto Ibrahimovic tentava de todas as formas e feitios, coube ao Grankvist a grande oportunidade sueca do jogo. Cabeceamento na grande área aos 83 minutos e De Bruyne a salvar em cima da linha de golo.

Do alívio ao festejo, tudo se decidiu num minuto. Contra-ataque e bola para Hazard na esquerda. O mago do Chelsea atrasou a bola para a frente da grande-área onde Radja Naingollan surgiu a rematar sem hipótese para o fundo das redes de Isaksson. O relógio apontava 84 minutos e cada vez menos tempo para evitar uma despedida anunciada.

A pressão final da Suécia acabou por não surtir efeito e a saída consumou-se de forma natural. O resultado garantiu o segundo lugar para a Bélgica, que se prepara agora para enfrentar a Hungria nos oitavos de final. Para Zlatan, a derrota significou um adeus antecipado. Como diria o próprio, talvez o Euro seja demasiado pequeno para ele.