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Macumba, mandinga, trangomango - e Novo Banco (a crónica com sotaque carioca)

Marco Grieco, diretor de Arte do Expresso, foi à procura de sinónimos e de santinhos para escrever a crónica de hoje, dia em que joga Portugal. Toda a ajuda do além será bem-vinda

Marco Grieco

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Que o empate de sábado não foi justo, isso todos já sabemos, lamentamos e praguejamos ad nauseam. A impressão era a de que a baliza da Áustria, defendida por Almer, estava abençoada por São Colman ou São Maurício, onde a bênção da Nossa Senhora da Imaculada Conceição não era bem-vinda. Cruzes, nem os malditos postes nos ajudaram!

Estariam os cristianos pastorinhos a jogar à bola e a descuidar do rebanho quando a Mãe de Deus apareceu? Será essa a nossa maldição, prestes a completar 100 anos?

Ou isso ou, pior, alguma macumba forte, malapata, bruxaria, mandinga, magia, malefício, feitiçaria, bruxedo ou trangomango há de ter sido profanada contra nós…

Bem sei que futebol, política e religião não se devem discutir, nem tão pouco misturar, mas a angústia que se prevê para hoje à tarde, lá pelas 17 horas e 90 minutos seguintes, vale todo e qualquer risco e consequência…

Levado por minha agnóstica curiosidade, numa profunda investigação – com a superficialidade que só o Google e a Wikipédia podem emprestar –, descubro que Santa Maria, Santa Joana D’Arc e Santa Teresa de Lisieux já abençoaram a França, assim como o eremita São Nicolau de Flüe não descurou os seus devotos Suíços. Galeses de São David e súbditos Ingleses de São Jorge – até mesmo aqui distintos e discordantes –, também seguem a sua procissão.

Os germânicos adoradores de São Bento de Núrsia sofreram e purgaram mas estão nos oitavos de final, juntamente com os sempre fervorosos polacos de Santo Estanislau e do penitente São Casimiro.

Do Grupo D, elevaram-se aos céus os hispânicos seguidores de São Tiago e de Santa Teresa d’Ávila, com uma fiel ajuda dos sempre guerreiros catalães de São Jorge. A seu lado – um ponto à frente, para ser mais preciso –, a Virgem Maria Bistrica, protetora dos que persistem, não abandonou os croatas na sua peregrinação.

Ainda hoje, no Grupo E, assistiremos incrédulos aos desígnios de São Francisco de Assis, Santa Catarina de Siena e Santo Estêvão numa jornada italiana de fazer inveja, enquanto os venerados apóstolos belgas de São José deverão safar-se mesmo à justa.

Ainda outros padroeiros e crentes hão de avançar, mas são contas para mais logo, nas escrituras da matemática dos melhores terceiros lugares.

Já os santos de Fernando nem sequer precisam de um milagre para nos levar à próxima fase… Basta uma breve aparição da bola nas redes adversárias para nos fazer acreditar que temos mesmo seleção para ter ambição!

Em nome do Pai, do Filho e do Novo Banco…