Euro 2016

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O Éder pode ser o Nuno Gomes. Ou o Nené. Ou o Domingos.

"Na Gaveta" recupera os futebolistas que saltaram do banco para dar as vitórias a Portugal.

Adriano Nobre

FRANCISCO LEONG

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Hoje é dia de decisões. Logo à noite, por volta das 18h45, saberemos se Portugal segue, ou não, para os oitavos-de-final do Europeu. Diz-nos a estatística que até basta um empate e que nem é preciso marcamos golos: 0-0 com a Hungria é suficiente para nos garantir o estatuto de quarto melhor terceiro classificado da fase de grupos. Não será o rótulo mais honroso, mas faz o serviço: apura-nos. E se for esse o caso, que seja. Não se pode ter tudo.

Estamos nisto, no entanto, porque já tivemos um pouco de tudo. Marcámos um golo num jogo muito fraco e falhámos vários num jogo pouco forte. Houve bolas no ferro, remates tortos, cabeceamentos fracos, pouca inspiração, penalty falhado, grandes defesas, muitas pernas e cabeças na área do adversário. Tudo embrulhado no fado do azar, claro.

Já experimentámos isso tudo, mas não tivemos ainda uma coisa que nos habituámos a ter em todos os europeus anteriores. Golos vindos do banco: dos 41 golos já marcados por Portugal em fases finais, 12 foram obtidos por jogadores que não estavam na equipa inicial. Uma média que não é despicienda. E que tem sido bastante útil.

Se acaso empatarmos 0-0 esta será, de resto, a única vez que Portugal terminará uma fase de grupos de um Europeu sem um golo marcado por um suplente entretanto lançado no jogo. Ora, se a estatística vale alguma coisa, bem pode Fernando Santos tomar nota de um conselho para o jogo de hoje se precisar de golos: é meter o Éder lá dentro mal os húngaros marquem golo. Logo aos dois minutos se necessário for, mister.

Pode parecer exagero, mas regra geral, quando as coisas apertam – e não estando em causa regulação financeira – o banco de Portugal ajuda. Lembra-se do Portugal-Roménia de 1984 que nos deu o segundo lugar no grupo e o apuramento para as meias-finais, com uma vitória por 1-0? Golo de Néné, saído do banco. E o Portugal-Espanha do Euro2004, que nos garantiu a passagem para os quartos-de-final? 1-0, golo de Nuno Gomes, saído do banco.

No Europeu que organizámos, Portugal estabeleceu, de resto, o seu máximo olímpico nesta arte: cinco dos oito golos que marcámos nessa prova vieram do banco. Scolari dirá que foi a nossa Senhora do Caravagio, mas os arquivos da UEFA dão-nos outros nomes: além de Nuno Gomes com a Espanha houve Ronaldo na derrota 1-2 com a Grécia; mais Rui Costa na vitória por 2-0 com a Rússia; e ainda Postiga e de novo Rui Costa no empate 2-2 com a Inglaterra nos quartos-de-final.

Noutras edições, tivemos também Domingos a saltar do banco em 1996 para fechar um 3-0 à Croácia. Houve ainda Costinha, em 2000, a entrar a três minutos do fim para marcar nos descontos o 1-0 que derrotou a Roménia e nos deixou logo apurados para a fase seguinte. Em 2008 foram Meireles e Quaresma a entrar para selar as vitórias por 2-0 à Turquia e 3-1 à República Checa. Mais recentemente, em 2012, foi a vez de Varela marcar o golo salvador da vitória sobre a Dinamarca, por 3-2, já perto do fim, e logo três minutos depois de ter entrado.

Quando as coisas correm menos bem, Fernando Santos usa e abusa do chavão “o futebol é isto”. Se olharmos para a história dos europeus anteriores, “a estatística é isto”: até agora, tivemos em média dois golos de suplentes em cada participação em Europeus, sendo que nove dos 12 golos marcados nessa condição (ou seja, uma média de 1,5 por prova) foram obtidos durante as fases de grupos. Por mim o Éder vestia o colete e começava a aquecer logo depois do pequeno-almoço.

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