Euro 2016

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O jogo que só eu é que vi

Islândia 2-1 Áustria. O golo islandês no último minuto fez Portugal cair para terceiro lugar (o que até pode ser bom, porque assim evitamos Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e afins). Islândia fica em segundo e vai defrontar a Inglaterra nos oitavos

Expresso

O momento do 2-1 para a Islândia

FILIP SINGER / EPA

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Foi preciso chegar a este ponto para ver futebol à séria. E o ponto era este: à Áustria só a vitória interessava e para os islandeses as possibilidades multiplicavam-se - mas o empate chegava.

Na cabeça tinham o empate, mas a verdade é que os jogadores islandeses começaram o jogo com os pés no acelerador e mal rolava a bola quando esta encontrou na barra o seu destino num grande remate de Jóhann Gudmundsson. O cronómetro contava 2 minutos.

A Islândia conseguia ser mais forte, fosse em lances de bola parada, lançamentos laterais ou em jogadas de envolvimento - eram os islandeses que criavam mais perigo. Gylfi Sigurdsson esteve particularmente bem, mostrando o porquê de jogar na Premier League.

E assim, sem grande surpresa, aos 18 minutos passavam para a frente no marcador. Jón Bodhvarsson, um dos avançados, conseguiu num remate rasteiro, apesar de pressionado por um defesa austríaco, enganar o guarda-redes que caía para o lado contrário tentando prever o caminho da bola.

A mantarem-se assim as coisas, aos austríacos restava um caminho - o de casa - e não era o que lhes interessava. E por isso apertaram e tentaram, queriam mesmo ficar mais um bocado.

E quase conseguiam adiar a passagem de regresso. Num lance que parecia perdido por Alaba - o jovem foi solicitado para jogar de cabeça - nasceu uma oportunidade para a Áustria chegar ao empate. O árbitro viu um puxão (dentro da área) no braço do versátil jogador que atua no Bayern de Munique e assinalou grande penalidade.

Com Arnautovic e Alaba na equipa, o escolhido para o decisivo pontapé foi... Dragovic, o defesa central. E correu mal. A bola foi ao poste.

O descanso chegou. O 1-0 para a Islândia ao intervalo (Portugal e Hungria empatavam 1-1) dava aos nórdicos não só a classificação como lhes garantia o segundo lugar e mais um dia de recuperação.

A segunda parte viu uma Áustria diferente. Para isso contribuiram as duas substituições que Marcel Koller fez. Deixou Prodl e Ilsanker a tomar banho, um defesa e um médio. Entraram Schopf e Janko, um médio e um avançado.

Os resultados saltaram à vista. A Áustria pegou na bola e no jogo e como prémio marcou aos 60 minutos. Quem marcou? Schopf, o suplente que tinha entrado ao intervalo.

A partir daqui o jogo abriu. Surpreendentemente, até porque à Islândia o empate chegava, mas eles queriam mais.

O tempo ia passando e no banco da Islândia rezava-se. A pequena nação de pouco mais de 300 mil habitantes estava a um passo de conseguir o que ninguém há meia dúzia de dias esperava - a passagem aos "oitavos".

O que se ia passando no outro jogo do grupo pouco interessava para este. A Áustria continuava a ter que ganhar e o empate assentava muito bem a uma Islândia - que mesmo assim parecia mais esclarecida quando atacava e teve muito perto de marcar pelo craque Sigurdsson, quando numa belíssima jogada coletiva ficou na cara de Almer e rematou para uma defesa do careca que nos tramou há uns dias.

Já em desespero, a Áustria começou com o típico chuveirinho, e mesmo com o gigante Janko lá na frente, os islandeses sentiam-se nas suas sete quintas e chegavam para as encomendas. E foi numa destas bolas, já em tempo de desconto, que a Islândia, num golpe de contra-ataque perfeito, fez o 2-1. Elmar Bjarnason correu pelo lado direito, galgou metros e quando olhou para a área tinha dois colegas soltos para fazer o golo. Com uma assistência perfeita, deu a Ingvi Traustason a chance de se tornar herói.

A Islândia ganhou, Portugal e Hungria empataram. Húngaros e islandeses passam em primeiro e segundo, nós em terceiro.