Euro 2016

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Ó santinho, faz o que eu te digo!

O Comendador de bigode dá os seus conselhos técnico-táticos ao selecionador nacional

Comendador Marques de Correia

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O engenheiro Fernando Santos está a um milímetro de ser o engenheiro mais mal visto em Portugal, entre os engenheiros que fizeram um curso normal. Isto porque ele conseguiu dois feitos abnormais (é mesmo abnormal que é uma coisa maior do que anormal): empatou com os toscos grandalhões da Islândia a um golo e empatou com os toscos menos grandalhões da Áustria sem golos. Que vai ele fazer a seguir? Empatar com os toscos da nossa altura dos húngaros com um resultado negativo, tipo -1 para Portugal e -1 para a Hungria?

Ele diz que está confiante e que só volta a Portugal no dia 11 de julho, um dia depois do Europeu acabar. Mas eu digo-te, Santos: se não ganhares à Hungria é melhor ficares aí mais uns tempos. Olha, vai ver a Volta à França e sobe o Alpe d’Huez de joelhos, ou uma coisa assim, porque se te apanhamos por cá estás… como hei de dizer… prejudicado na tua fama…

Vamos, pois, à tática para dar cabo dos magiares. A primeira coisa é manter o João Moutinho porque ele foi o melhor jogador em campo contra a Áustria. Toda a gente viu; a UEFA até o elegeu melhor em campo. Isso nada tem a ver com o agente dele, do qual só sei que tem um grande carro, porque os agentes desses jogadores têm todos um grande carro. Manténs o João Moutinho… mas afastado da equipa. E podes mandar para lá também o Vieirinha, que tendo nome de futebolista e tudo, não está a render. Quem pões no lugar dele? Um qualquer. Qualquer cepo ganha à Hungria. Até o Sporting, que só ganhou um troféu europeu, foi contra os húngaros do MTK. E foi com o Morais, que eu já te tinha dito que devia jogar, porque além de cantos diretos arrumou o Pelé com uma canelada que ele nunca esqueceu.

O Ronaldo pode jogar, mas se tiver de marcar um penalti dizes ao manguelas que atire contra o guarda-redes, para ver se ele não acerta na trave. De resto, e se for possível, dá-lhe um espelho, para ele poder ver como é bom a jogar. O Patrício e o Raphäel também estão bem e o William Carvalho é bom andar por lá só para passar bolas para a frente. Entre o Nani e o Quaresma eu metia Slimani e o Jonas – uns tipos que conhecem o trânsito da Segunda Circular são mais portugueses do que um par que joga em clubes rivais… na Turquia.

O resto do meio-campo, já sabes, é para a trancada. Mas sem o árbitro ver, que isso do fair-play foi inventado por uns tipos que queriam desviar as atenções da corrupção que grassa no futebol. Se nós não somos corruptos (e toda a gente sabe que Portugal não é um país onde haja essa chaga social) não precisamos de fair-play para nada. É pena não saber onde anda o Paulinho Santos, que eu dizia-te quem devia jogar na primeira linha de defesa, ali no meio-campo.

E pronto! Se ganhares à Hungria és um bacano e a malta compra-te um santinho daqueles estranhos, tipo São Cirilo ou Santo Abraão de Rostov, porque já percebemos que Santos de casa não fazem milagres. Se não ganhares, põe-te a milhas… e diz ao Moutinho, ao Ronaldo, ao Nani e a mais uns 20 que venham disfarçados… de preferência de bigode e com pelos nas pernas, que hoje quando se vê um tipo todo depilado e com um risco no cabelo em sítios esquisitos, sabe-se logo que é da nossa seleção.