Euro 2016

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Nos oitavos, apesar do Fernando Santos e do Moutinho

Portugal está nos oitavos do final do Euro 2016. Num grupo onde todas as outras equipas têm muito pior classificação no ranking da UEFA, Portugal conseguiu empatar três vezes contra esses colossos do futebol mundial, a Islândia, a Áustria e a Hungria. E se passamos à fase seguinte da prova é porque os regulamentos repescam os melhores terceiros. Mas se estamos na próxima fase da prova, isso foi conseguido apesar do selecionador e do médio do Mónaco

Nicolau Santos

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Pode ser cruel escrever isto, mas Fernando Santos está a mostrar ser um selecionador teimoso, obtuso, conservador, com falta de rasgo, que não vê o que toda a gente vê: que João Moutinho é uma unidade em claro sub-rendimento e que mesmo André Gomes não consegue emprestar intensidade ao meio-campo português.

No jogo contra a Áustria, Fernando Santos só mete o Éder e Rafa quando faltavam cinco minutos para acabar. O que é que se pode dizer de um selecionador que devia ganhar e toma uma decisão destas quando o jogo estava mesmo a acabar? Contra a Hungria, meteu o Moutinho de novo de início (quando já tinha sido medíocre contra a Islândia) – e a exibição foi tão desconsoladora que lá teve que o tirar ao intervalo. Um jogador a menos durante 45 minutos (não marcou um canto de jeito – mas era o homem escolhido para o fazer… Como é possível?) e uma substituição queimada por teimosia de Fernando Santos. Depois, substitui o André Gomes pelo Quaresma, desequilibrando completamente o meio-campo e a defesa. E finalmente, quando precisávamos de ganhar, mete o Danilo para garantir o empate. Não, manifestamente Fernando Santos também está fora de forma – ou então é mesmo assim.

O que é que ele tem contra uma ideia que é normal em qualquer seleção, juntar jogadores da mesma equipa em determinados setores, porque estão rotinados a jogar? Porque é que não joga o meio-campo do Sporting, reforçado com o Renato Sanches? O que é que ele tem contra o Adrien? Não está em muito melhor forma que o Moutinho e o André Gomes? Está, claro que está. Mas o Fernando Santos não vê ou não quer ver ou tem os seus jogadores de eleição e não prescinde deles, mesmo que estejam fora de forma, cansados, meio lesionados ou vindos de longas lesões.

Fernando Santos deveria meditar na classificação do grupo: Hungria e Islândia, 5 pontos; Portugal, 3; e Áustria 1 (conseguiu empatar com Portugal…). Ou seja, a classificação de Portugal neste grupo é uma vergonha e é da responsabilidade exclusiva do selecionador, porque podia ter escalado uma equipa muito mais competitiva do que as que começaram cada um dos três jogos.

Agora, contra a Croácia, esperamos que o Raphael Guerreiro recupere – porque o Eliseu é um susto, sem velocidade, sem rasgo, sem audácia, sem nada. Foi outro jogador a menos contra a Hungria. Esperemos, portanto, que o selecionador, que é muto religioso, tenha uma inspiração divina e que lhe surja esta equipa na cabecinha: Rui Patrício; Vieirinha (mas o Cédric merece uma oportunidade), Pepe, Ricardo Carvalho e Raphael Guerreiro; William, Adrien, João Mário e Renato Sanches; Nani e Ronaldo. Oremos!