Euro 2016

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A Hrvatska e o rufia dos microfones

Comendador Marques de Correia

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Ó Santos, lá te safaste. O rufia dos microfones meteu dois golaços, o Nani já tinha metido um e, embora andasses sempre atrás do prejuízo, conseguiste o terceiro lugar, que era melhor do que o segundo (o tipo que organizou o Euro também é um crânio, sim senhor…). E pronto lá vamos jogar contra a Hrvatska, que é como se escreve Croácia em sérvio (ou servo-croata, que é uma espécie de sérvio-freio mas sem a cambota, acho eu, porque a minha especialidade é a bola).

Ainda tens de agradecer o golo ao calmeirão da Islândia no final do jogo, senão ias jogar contra a Inglaterra na única modalidade em que eles não querem sair do Euro – o futebol. Assim vão os calmeirões que querem mostrar que são tão bons e eficazes como o eleitorado britânico.

Nós, com a Hrvatska temos hipóteses. Não só porque ninguém consegue dizer o nome do país, como também porque temos o rufia dos microfones em forma. Mas, ainda assim, quero dizer-te que eu conheci muitos empata – os empata isto e empata aquilo – mas nunca tinha visto nenhum empata jogos como tu. Como consegues, ó Santos? É que é difícil.

Por exemplo, a gente está a jogar e os húngaros metem um golo às três tabelas. Lá vai o rufia à frente e pimba! Enfia um nos pés do Nani que chutou de forma a dar cabo do tipo que joga de pijama à baliza dos magiares. Depois os gajos metem outro às três tabelas. Pimba! O rufia dá uma de calcanhar que os mete na ordem, além de receber logo ali meio milhão só para mostrar a marca da bota. E vai os tipos e mais um, às três tabelas. O nosso rufia dá-le logo outra de cabeça com o patrocínio do Linic (é que nem caspa se vê). Se aquela que eles meteram à trave entrasse, quem é que marcava o nosso golo, Santinho? Diz lá? Era o Quaresma, o Nani ou o rufia? Ou deixavas para o Sanches, o putozeco?

Agora, com a Hrvatska há que ter cuidado com o Luka Modrić. Não só porque um tipo com um acento no c é esquisito, como também porque é um grande jogador. O Pepe, que é colega dele no Real Madrid pode logo aviar-lhe uma trancada no início do jogo… uma daquelas fortes, que ele fica a ver acentos agudos a tarde toda. Outro gajo perigoso, porque dá cabo do nosso ataque e do nosso meio campo é o Mateo Kovačić, porque não só tem o acento num c, como no outro tem um chapelinho ao contrário. É caso para a cotovelada costumeira de um tipo nosso. No nariz, que fica a sangrar e tem de sair do campo.

Atenção, portanto, que aquilo não é gente normal!

Depois a Hrvatska faz fronteira com a Hungria, sendo de supor que eles também sabem jogar às três tabelas, ou às três pancadas ou lá que o que é aquilo.

Eu, pelo sim pelo não, convocava o Manuel Alegre para o jogo contra a Hrvatska, porque os tipos são acusados de fascistas pelos sérvios e convém ter sempre um antifascista convicto para os irritar. Se o Alegre declamasse no meio do campo os poemas contra a direita neo-liberal, o fascismo e o totalitarismo, podes ter a certeza que os tipos se desorientavam.

E pronto, Santos. Se passares esta, já podes respirar fundo. Depois jogas com a Suíça ou a Polónia, que já são países normais com nomes comuns a quem se pode mandar bocas sem parecer ordinário.

Vai-te a eles!