Euro 2016

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O mefistofélico plano de Fernando para ganhar a este senhor

Há dúvidas no ar e ansiedade no coração. Mas só há uma maneira de Portugal ganhar o Europeu de Futebol. Saiba aqui como o engenheiro engendrou a vitória da seleção nesta grande competição.

Miguel Cadete

FABRICE COFFRINI

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O país está suspenso. E muitos de nós não sabem o que pensar. Na verdade não é fácil até porque, bem vistas as coisas, só há um caminho para a vitória. Mas ele existe. O que não ajuda nada a perceber o que se está a passar é, obviamente, o facto de Portugal ainda não ter ganho nenhum jogo. Como vamos, então, ganhar o Euro? Esse é o insondável mistério que Fernando Santos parece ter desde já resolvido.

Vamos a contas! Portugal não ganhou nenhum jogo na fase de grupos mas passou à fase seguinte, neste caso os oitavos de final. A história diz-nos que isso não é impeditivo. Afinal, no Mundial de 82, a Itália também não registou nenhuma vitória nos três primeiros jogos mas veio a sagrar-se campeã. O treinador estudou com toda a certeza essa Itália, como também tem um saber de experiência feito quanto à Grécia. Aí aprendeu muito quanto a jogar de forma cinzentona.

Não se iluda o leitor quanto às estatísticas. Portugal não só não ganhou nenhum jogo como apenas esteve na frente do marcador por uns míseros 19 minutos. Nos mais de 270 minutos que duraram os três desafios da fase de grupos estivemos a liderar durante 7% do tempo. Parece pouco. Mas não é. Chega e sobra. Mesmo que nos restantes 93% tenhamos estado a empatar, senão mesmo a perder.

A verdade pura e dura, aquela que não se compadece com estatísticas nem folhas de Excel, é que nunca perdemos. Mas, se não ganhamos, como vamos cumprir o objectivo, proclamado pelo selecionador, de vencer este Euro? Como vamos manter Fernando Santos em França até dia 11 de julho? Qual o caminho que levará Cristiano Ronaldo a levantar a taça, no Estádio de França, logo que soe o apito final do derradeiro encontro deste torneio?

É pura lógica. É como juntar dois e dois. É assim: Portugal vai empatar todos os jogos que lhe faltam neste Europeu. São 120 minutos de sofrimento. Os 90 regulamentares mais o prolongamento. Vamos lutar para conseguir sempre manter o nulo. E nos penáltis, aí sim, iremos ganhar o passaporte para a eliminatória seguinte. Depois do que se tem visto, esta é a única forma de trazer de lá o caneco.

Sabemos que o treinador é homem de usar suspensórios e cinto ao mesmo tempo. Foi assim contra a Islândia – o tal jogo em que estivéssemos uns longos 19 minutos na frente do marcador – e o mesmo sucedeu com a Áustria. Equipa sempre certinha, com os médios a não se afastarem mais de cinco metros da linha de meio campo. Marcámos pouco, mas também quase nada sofremos nos dois primeiros encontros.

Já contra a Hungria, o selecionador tirou o cinto (ou terão sido os suspensórios?) e foi o que se viu. A fazer pressão alta passámos a marcar golos (um horror!) mas também a sofrer as passas do Algarve. Aquele calor de mais de 32º que se fazia sentir em Lyon na quarta-feira também ajudou a dar cabo da nossa defesa. E foi o que se viu.

Ricardo Carvalho ofereceu golos a ponto de perder a pose imperial E quando Renato Sanches entrou, a equipa espevitou, mas o meio campo partiu-se. Quaresma mostrou que não pode jogar os 90 minutos. Mas pode ser demolidor na recta final de cada jogo. É a velha questão do cobertor: ou marcamos e sofremos ou então deixamos os avançados sozinhos na frente e não chegamos ao golo. Com esta equipa é assim. Daí a necessidade de apostar tudo nos empates.

Sejamos sensatos que aqui não há malucos. Nós não conseguimos ganhar. Mas também não perdemos. Aos penáltis! Venha de lá a Croácia, a Polónia e a Bélgica. E na final, que venha a Alemanha. Serão onze contra onze e no fim ganha a nossa manha.