Euro 2016

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O que a seleção tem a aprender com a matemática de Lopetegui. Ou não

Aqui, as contas contam pouco, ou mesmo nada

Rui Gustavo

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Uma vez um poeta de barba e boina foi à minha escola e disse.

“Nunca tive jeito para a geometria
Porque vejo sempre na pirâmide
O suor de quem a construía”,

Nisso sou um bocado parecido com o Fernando Grade: a matemática e os números nunca foram o meu forte e sou um daqueles que fugiram para a área D no 9º ano para escapar a qualquer hipótese de alguma vez ter de estudar geometria descritiva. Mas até um matematicoexcluído como eu não pode deixar de reparar no seguinte padrão que marca as nossas participações nos últimos europeus: 1996, quartos de final; 2000, meia final; 2004, final; 2008, quartos; 2012, meias; logo, 2016, final. No mínimo. E o mais certo é ganharmos porque há aqui uma óbvia progressão. A minha irmã, que é professora de matemática, rapidamente esclareceria que tão poucas variáveis não dão para estabelecer um padrão.

Mas isso é ela. Qualquer um pode ver que a matemática está por nós. Mais: a Croácia nunca nos ganhou, nem sequer nos marcou um golo. No único jogo oficial derrotámos por 3-0 a equipa de Boban, Suker e Prosinecki. Mais duas vitórias em dois jogos particulares. Melhor: um dos croatas, o defesa Corluka tem jogado com uma touca de natação aos quadrados na cabeça e não há registo estatístico de alguma vez uma equipa com um jogador assim ter chegado a uma final do Europeu. Está tudo por nós.

Que importa termos defendido o empate contra a Hungria perante o desespero do ingénuo Renato Sanches, ó único que ainda queria correr atrás da bola e da vitória? A Croácia tem dois génios Modric e Rakitić em forma e a marcar golos? O Ronaldo marcou um golo de calcanhar. O Perisic está finalmente a afirmar-se como grande jogador? O Ronaldo marcou um golo de cabeça. Eles têm um grupo forte e coeso ? Não houve um jogador português que se chateasse com o Ronaldo por ele ter mandado um microfone de um jornalista para o lago e até o deixaram marcar os livres todos. É verdade que houve um treinador que disse que “a matemática não tem nada a ver com o futebol”. E chamava-se Julen Lopetegui.