Euro 2016

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Saíram do Euro os que queriam ficar na Europa

País de Gales 1-0 Irlanda do Norte. O sonho galês prossegue - e terá pela frente o vencedor do Bélgica-Hungria. Irlanda do Norte é a primeira seleção britânica a voltar para casa

Expresso

Mike Hewitt

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Quiseram os desígnios do sorteio deste campeonato da europa de futebol que País de Gales e Irlanda do Norte se defrontassem dois dias depois da população britânica ter votado num Reino Unido fora da União Europeia. Uma decisão que além de afastar o Reino Unido do resto da Europa também provocou uma divisão interna, isto porque a contagem dos votos revelou que galeses e irlandeses querem coisas diferentes. Os primeiros querem sair e os segundos queriam ficar.

Foi com isto na cabeça que a Europa do futebol começou a ver um dos duelos com mais história do desporto. País de Gales e Irlanda do Norte já se encontraram por 98 vezes e os galeses levam vantagem - ganharam 44, perderam 29 e por 25 vezes terminaram empatados.

Agora as vontades convergiam, ambas a nações queriam ficar. Ficar no Euro, de futebol. E por isso tinham de jogar, uma contra a outra. Onze galeses de um lado contra onze norte irlandeses do outro. E no meio um árbitro inglês, Martin Atkinson.

Esperava-se que com o início do jogo a cabeça do povo britânico se afastasse do Brexit e que falassem de outras coisas, de futebol, por exemplo. Acontece que pouco se passou que motivasse qualquer discussão, ou que por momentos nos esquecêssemos do impacto que a decisão tomada pelos eleitores britânicos poderá ter na vida de todos os europeus.

O jogo foi pobre. As duas equipas conseguiram anular-se uma à outra. Os galeses que tentavam jogar mais pelo chão não conseguiam. Do outro lado, o futebol mais direto, bem ao estilo britânico, também não dava frutos. Bale e Ramsey, que têm sido dos melhores do País de Gales, não se viram, mal tocaram na bola e quando a viam tinham logo por perto um par de irlandeses dispostos a pôr fim às intenções galesas.

Ramsey ainda empurrou a bola para fundo da baliza adversária, mas só para ouvir o apito inglês do árbitro a dizer que não contava. Estava fora de jogo.

A Irlanda do Norte tentava assustar os galeses com remates de longe e foram de Ward e Dallas, de fora da área, as melhores ocasiões de golo. Hennessey, o guarda-redes do País de Gales, estava lá e mostrou o porquê de ter sido um dos melhores da Premier League na última temporada.

O intervalo chegou, tempo para um chá e um biscoito. Esperava-se que com a segunda parte viessem os momentos emotivos. Que o jogo partisse e que uma das equipas se mostrasse mais capaz de ficar no Euro.

Mas não aconteceu, as equipas não arriscavam, a qualidade do futebol ia sofrendo com o medo de perder. E assim se arrastou até ao minuto 75, momento em que Bale consegue pela única vez em todo o jogo chegar à linha e cruzar. O destino era Robson-Kanu, o ponta de lança que tinha entrado há pouco, mas pelo meio meteu-se Gareth McAuley, que numa tentativa desesperada de cortar a bola acabou mesmo por empurrá-la para o fundo da baliza de McGovern.

Um autogolo acabava assim por decidir a saída, da Europa, Europa do futebol, de uma nação que até queria ficar.