Euro 2016

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Queres um fato? Ó... batatas, pá!

Isto é o que aconteceria se Trapattoni e Camacho se encontrassem para falar de bola

André de Atayde

Paul Gilham

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Trapattoni e Camacho encontram-se num café e a conversa começa a fluir. É o italiano quem dá mote:

– Ainda és vivo, camarada? Não sabia nada de ti há imenso tempo

– Ando arredado das coisas do futebol. Voltei para a minha terra e sou agricultor.

– Mas isso tem futuro? A malta na Europa ainda liga à agricultura?

– Eu vou-me safando. Pelo menos dá para ir comendo qualquer coisa. Vou fazendo umas feiritas em Espanha e a coisa safa-se. E tu, que tens andado a fazer?

– Olha, eu agora sou alfaiate. Sabes que nós, italianos, temos jeito para vestir bem.

– Verdade. Ainda me lembro de te ver no Benfica, sempre impecavelmente bem vestido.

– Estás a ser simpático, Camacho, mas obrigado.

– Não estou nada, Trap, tinhas muita classe.

– Sabes que eu acho que os adeptos em Portugal nunca perceberam a minha maneira de jogar? Queriam uma equipa sempre ao ataque e não tínhamos jogadores para isso... No teu tempo foi mais fácil.

– Sim, mas tu foste campeão e eu não. E estive no Benfica duas vezes!, mas a única coisa que deixei foram os "livres à Camacho"...

– Os adeptos portugueses são muito exigentes, sabes? Ou jogas sempre para ganhar, ou então não prestas para nada. Mesmo que não tenhas jogadores para isso.

– Sim, mas tu foste campeão, eu ganhei uma taça, só.

– Mas ganhaste ao Mourinho, não foi?

– Foi, sim, mas achas que isso hoje em dia interessa? Olha onde é que ele está e onde é que eu estou?

– Sim, é verdade, mas não penses nisso. És feliz com as couves e alfaces, não és? É o que interessa. Eu sou feliz a fazer fatos por medida.

– Por falar nisso, a seleção italiana é sempre a mais bem vestida, pá.

– Pois é. Mas sabes que isso nos está no sangue. A arte de vestir bem e ter estilo.

– É verdade. Mas olha que no jogo de hoje isso não vale de nada...

– Não vale, pois não. Mas aposto que se fizesses uma votação as pessoas iam querer que a Itália fosse à final. Pelo menos a malta sempre lava a vista.

– Isso não vale de nada. Em campo são todos iguais. Mas olha que os italianos jogam mais ou menos como a tua equipa do Benfica.

– Fui campeão, não fui? Se jogarem assim, ganharem 1-0 e forem campeões da Europa, chega.

– Olha que a minha Espanha joga muito, companheiro. Não vai ser fácil.

– Pois não, mas tenho fé na vitória. Desde que consigam tapar o Iniesta, tenho esperança. Depois é ataque, ataque, ataque, golo e defesa.

– Precisas de ter posse de bola e isso não vai ser fácil contra a Espanha.

– Pois não, mas jogamos em contra-ataque.

– Só se for assim...

– Vai dar certo, vais ver. Quem ganhar paga um jantar ao outro, boa?

– Se aguentares a minha pedalada no vinho, vamos a isso.

– Claro que aguento. Isto de viver um ano em Portugal tem essas coisas. (risos)

– Ahahahah!, és capaz de ter razão.

– Bem, tenho de me ir embora que tenho umas medidas para tirar daqui a bocado. O Cannavaro quer um fato.

– O que é feito desse gajo?

– Parece que anda lá para a China.

– Faz ele bem. Pergunta lá ao gajo se precisam de batatas por lá.

– Eu pergunto e depois ligo-te. Vá, tenho de ir. Arrivederci, Camacho.

– Hasta luego, Trapattoni.