Euro 2016

Perfil

Felix acerta muito, erra pouco e transpira credibilidade

O árbitro alemão Felix Brych, de 41 anos de idade, foi o escolhido pelo Comité de Arbitragem da UEFA para dirigir o embate de hoje entre a seleção portuguesa e a Polónia

Duarte Gomes

David Ramos

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Pela quinta vez consecutiva, tantas quantas o número de partidas realizadas até à data, Portugal terá num
dos seus jogos um árbitro muito experiente e de enorme categoria, materializada num currículo impressionante, de onde se destaca a Final da Liga Europa em 2014, que opôs o Sevilha ao Benfica.

Foi precisamente nessa final, mais propriamente no desempate através dos pontapés da marca de grande penalidade, que se verificou uma situação de jogo que deu agora o mote para uma das mais importantes alterações ocorridas nas leis de jogo para a próxima época: qualquer guarda-redes que se adiante, de forma clara, antes do pontapé de grande penalidade ser executado, deve ser advertido, ou seja, deve ser-lhe exibido o cartão amarelo. Isto aplica-se já a partir desta competição e a todas as grandes penalidades (quer durante o decorrer do jogo, quer para encontrar um vencedor).

Felix Brych é um dos mais promissores produtos da arbitragem internacional. Embora distante do estilo germânico na personalidade (Brych é sensato, cordial e muito educado no relacionamento pessoal), mantém as caraterísticas típicas da escola alemã, no que diz respeito à forma como toma as suas decisões técnicas e disciplinares: com frieza e pragmatismo puro.

Costuma contribuir para a valorização e intensidade dos jogos que dirige, deixando flui-los quando as incidências o permitem, mas travando-os estrategicamente quando a situação parece descontrolar. É forte fisicamente e posiciona-se com acerto, sabendo ocupar os espaços certos nos momentos próprios, sem interferir com o jogo ou jogadores.

Advogado de profissão, Brych é o exemplo perfeito do árbitro moderno: bem formado, independente, com caráter e personalidade, que não tem na arbitragem a sua única fonte de subsistência.

Este conjunto de caraterísticas, pessoais e profissionais, são reconhecidas pelos seus pares e pelo universo do futebol, o que lhe garante estatuto e acima de tudo, o respeito de todos os que lidam com ele.

Não é infalível, tal como nenhum outro colega seu, mas acerta muito, erra pouco e acima de tudo, transpira credibilidade. A mesma credibilidade que faz com as suas decisões sejam bem aceites, mesmo por aqueles que não concordam com elas.

E isso não é para quem quer.
É para quem pode.