Euro 2016

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N.S. de Fátima vs. Papa João Paulo II

Hoje, dia de Portugal-Polónia, o Comendador de bigode fala de fé, um tema que é caro ao nosso selecionador Fernando Santos

Comendador Marques de Correia

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O nome de três portugueses conhecidos em todo o mundo? É fácil: Eusébio, Figo e Ronaldo! E agora o de três polacos: Chopin, Lech Walesa e João Paulo II. Por isso, ou a Polónia joga com um pianista, um sindicalista e um Santo Padre, ou estão tramados com os nossos génios futebolísticos.

Os tipos podem ser altos e poderosos mas nós somos o país do futebol na Europa assim como o Brasil… isto é a Argentina… quer dizer, o Chile o é nas Américas. Nunca Portugal foi derrotado por gente alta; basta ver que islandeses e noruegueses não conseguiram mais do que um empate. E que nós - é histórico - quando empatamos ao fim de 90 minutos, ganhamos no prolongamento, como se passou com a Croácia.

Cabe-me aqui fazer uma poderosa autocrítica, pois no último texto disse que jogaríamos com a Suíça ou a Bélgica, considerando que ambos os países, ao contrário dos croatas, tinham jogadores com nomes normais. É falso! Alguém, uma mão amiga, já emendou. A gente jogava com quem vencesse do Suíça-Polónia (que injustamente os tipos de Varsóvia ganharam) e só depois com quem ganhar do Bélgica-País de Gales. Por isso, eu considero já que ou João Paulo II faz um milagre (embora a gente tenha a Nossa Senhora de Fátima que é mais poderosa porque já salvou a vida ao Karol Wojtyla, ou João Paulo II, pelo que este nos deve uma) ou acabamos a jogar com a Bélgica, até porque a seleção de Gales tem nomes esquisitos, como os polacos e os croatas e os outros com quem jogámos e disso já estamos fartos.

Por exemplo, Gales tem um chamado Hal Robson-Kanu, que é filho do computador do 2001 Odisseia no Espaço, do sir Bobby Robson e do Kanu que foi capitão da seleção de futebol da Nigéria. A estrela deles é o Gareth Bale que é filho de um Gareth qualquer e de um bale de desconto do Corte Inglès.

Já os belgas são normais, sendo que um deles é tão normal que se chama Ferreira Carrasco, enfim, um nome de pessoa.

Voltando à Polónia, temos de nos concentrar naquela maçadoria que é o futebol do santinho. O futebol português, neste momento, pode definir-se da seguinte forma: são 11 contra 11 e ganha o último a adormecer. É por isso que não tememos o Lewandowski, já que ele tem nome de quem se levanta cedo e lá para as oito da noite já está com uma soneira do caneco.

De resto é o costume. Vamos para cima deles sem esquecer que nós representamos a Nato e eles o Pacto de Varsóvia, que apesar de não existir (o Pacto, Varsóvia resiste) ainda provoca saudades em muita gente. E por isso, devíamos pôr o Marcelo em campo, que é Comandante Supremo das Forças Armadas portuguesas e tipo para colocar tudo na ordem. No caso do Marcelo se baldar por ter de ir comer uma dobrada ao festival da tripa trasmontana, resta-nos o Costa. Não é a mesma coisa, mas será capaz de contar uma piada qualquer.

Esta será uma quinta-feira de glória, em que a Nossa Senhora vai derrotar o Papa (resta-lhes a fé na Virgem negra de Czestochowska, caso consigam dizer o nome dela, que é uma cena que não me assiste). Depois só nos falta que não haja sanções de Bruxelas. Desse modo será uma semana magnífica. Porque se Bruxelas declarara sanções antes de um jogo com a Bélgica é quase como comprar um árbitro e devemos reclamar imediatamente contra o facto de a União Europeia se imiscuir nos jogos do Euro. Quem pensam eles que são? Querem ver que a Merkel também quer mandar no futebol?

Assim não! (E de outra forma qualquer tenho de pensar!).