Euro 2016

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Desculpa lá, Giggs, mas ainda não é desta que te vais sentir vingado

Ainda e sempre o conto de fadas chamado País de Gales, próximo adversário de Portugal no Euro 2016

Rui Gustavo

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Como é que um país de apenas três milhões de habitantes produz jogadores do calibre de Ian Rush, Mark Hughes e Ryan Giggs? E como é que jogadores destes nunca disputaram um Mundial ou um Europeu? E como é que num Reino Unido forjado a ferro e fogo e rebeliões afogadas em sangue a última revolta dos galeses tenha ocorrido há 600 anos. E como é que o povo galês nunca entregou o líder revoltoso derrotado, Owain Glyndŵr, que terá morrido incógnito num dos muitos castelos galeses que são hoje a maior atração turística do país. Como é que Hollywood nunca se lembrou de fazer um filme com este braveheart galês? Como é que o ator galês mais conhecido do mundo, Christian Bale não começou já a escrever o guião deste filme? Como é que numa ilha que produziu as melhores bandas do mundo, o único grupo de jeito galês sejam os Manic Street Preachers? Porque é os galeses foram os únicos "não ingleses" a votar pelo brexit e pela saída da União europeia?

Como é que o País de Gales fez para perder com a pior Inglaterra dos últimos anos, a mesma que seria eliminada pela Islândia, depois de estar a vencer por 1-0. Como é que os galeses fizeram para vulgarizar nas calmas uma seleção belga cheia de estrelas? Como é que Portugal vai fazer para ganhar a esta equipa cheia de alma e moral e, vá, algum talento? Como é que vamos travar Gareth Bale, que corre, finta e consegue marcar livres sem ser contra a barreira? E os cantos do Williams?

Como é que eu vou fazer para, quando finalmente uma equipa galesa chega a uma fase final de um grande torneio (houve o Mundial de 58, mas isso é arqueologia), estar contra eles? Por norma simpatizo com as equipas de vermelho, cresci a ver o Giggs e o Speed e a desejar que pudessem estar numa grande competição e agora o sorteio faz isto? O que vale é que Portugal também joga de vermelho e depois da eliminatória contra a Polónia, da defesa do Patrício e do penalti de Quaresma, é impossível não acreditar que é desta. Para mim não estamos nas meias sem ganhar um jogo. Chegámos lá sem que ninguém nos ganhasse.