Euro 2016

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Islândia. Uh! Foi bom. Uh! Enquanto. Uh! Durou

A França nem sequer deu espaço à Islândia para sonhar: ao intervalo já vencia por 4-0 e passou às meias-finais com uma vitória por 5-2

TOBIAS SCHWARZ

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Sabe quantas pessoas moram em França? Eu também não sabia, para dizer a verdade, mas o amigo Google nestas coisas nunca nos deixa ficar mal: são 66 milhões. É um número que impressiona, especialmente quando metido em perspetiva com o números de habitantes islandeses: 330 mil.

Desses 330 mil, quase 30 mil estavam esta noite em Paris, depois da companhia aérea Icelandair até ter sido obrigada, sábado, a agendar dois voos extra para trazer tanta gente interessada em apoiar uma seleção que, apesar de se ter estreado em fases finais, conseguiu chegar aos quartos de final do Euro-2016, contra todas as expectativas.

O problema é que a força de vontade coletiva nem sempre se superioriza ao talento - e é óbvio que a França tem muitíssimo mais talento do que a Islândia. Especialmente uma Islândia que, depois de eliminar a Inglaterra, deixou Lars Lagerbäck de sobrolho levantado. "A verdade é que os nossos comportamentos se desleixaram devido à euforia da vitória", disse o treinador antes mesmo do Islândia-França. "Por exemplo, alguns jogadores chegaram atrasados ao jantar no dia seguinte. Normalmente somos flexíveis, mas são alguns detalhes sobre os quais tivemos de falar, porque tínhamos de manter o profissionalismo".

Não era fácil impedir o deslumbramento de um país mais conhecido pelos vulcões do que pelos futebolistas, mas também era difícil pedir mais a estes islandeses simpáticos que esta noite devem ter tido muitos dos 745 milhões de europeus a torcer por eles. Novamente com o mesmo onze com que tinha entrado para os primeiros quatro jogos, assim como o mesmo 442 "muito simples" - como o descreveu o guarda-redes francês Hugo Lloris -, a Islândia bem tentou manter a mesma coesão defensiva que mostrou com a Inglaterra, mas a França não lhe permitiu cumprir o propósito.

A Islândia tentou juntar bem juntinhas a linha defensiva e a linha média, impedindo Griezmann - esta noite a jogar atrás de Giroud, num 4-2-3-1 que tinha Pogba e Matuidi como médios de contenção e Payet e Sissoko como alas - de receber no meio, mas defender com uma defesa alta implica obrigatoriamente fazer pressão no portador. Pelo que bastou a Matuidi não ter pressão no meio campo islandês para lançar Giroud na profundidade e a França ficar a ganhar logo aos 13 minutos.

É verdade que os islandeses até tinham entrado mais incisivos do que os franceses, mas o golo mudou definitivamente o jogo. A França passou a dominar e ficou ainda mais tranquila quando, alguns minutos depois, num canto de Griezmann, Pogba saltou à Ronaldo e cabeceou de forma imparável para golo. 2-0.

Os adeptos islandeses calavam-se pela primeira vez mas o golpe ainda ia ser mais duro quando, antes do intervalo, Payet, com um remate de fora da área, fez o 3-0, e Griezmann, isolado, fez o 4-0 com um chapéu perfeito a Halldórsson, o tipo que é realizador nas horas vagas - como o co-selecionador Heimir Hallgrimsson é dentista quando não está nos relvados.

Voltando ao início: que mais se podia pedir a esta Islândia? Nada. Mas os islandeses mostraram por que razão chegaram aqui: dão tudo e não desistem. Sigthórsson reduziu para 4-1, Giroud voltou a ampliar a vantagem para 5-1, e Bjarnason voltou a reduzi-la para 5-2.

A França já geria a equipa para a meia-final com a Alemanha e a Islândia não pôde mais. Só houve tempo para mais uma alegria: a entrada do veterano de 37 anos Eidur Gudjohnsen, que foi celebrada como se fosse um golo. E, a acabar, houve a festa habitual: o bater de palmas ritmado e intercalado pelos gritos "vikings": uh! Obrigada, Islândia, foi um prazer. Uh!

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