Euro 2016

Perfil

Fernando Santos deseja-nos insónias e Fonte manda-nos para uma batalha

Favoritismo? O que é isso? Não há favoritos numa meia-final, concordam Fernando Santos e José Fonte, que elogiam fortemente o País de Gales e dizem que não vão dar trunfos ao adversário - daí que ainda não se saiba se Pepe vai jogar ou não

Miguel A. Lopes / Lusa

Partilhar

Sob os holofotes da sala de imprensa do estádio do Lyon cada treinador conta a história que mais lhe convém. Ao início da tarde desta terça-feira, foi Chris Coleman a entregar o favoritismo à experiente seleção portuguesa para a meia-final desta quarta-feira entre Portugal e País de Gales (20h, RTP1). Ao início da noite, foi Fernando Santos a rejeitar esse mesmo favoritismo: "Gales tem feito um campeonato fantástico. Num dos grupos mais equilibrados, ficou em 1º lugar e depois ganhou a um dos principais candidatos, a Bélgica, número um do ranking mundial, por 3-1. Conheço o Chris Coleman, falei com ele quando estávamos na Grécia e é um excelente treinador, mas está a fazer o jogo dele. De certeza que aos jogadores dele já não vai dizer isso".

Ao lado de Fernando Santos, José Fonte contou a mesma história. "Numa meia-final não há favoritos, é 50/50 para cada e tudo pode acontecer. Essa conversa passa-nos um bocado ao lado", explicou o central, que recordou que viu as meias-finais do Euro 2012 em casa com a família, mas espera ser titular esta quarta. "Com Pepe ou Ricardo Carvalho? Não sei, têm de perguntar ao 'mister' ou ao médico. Eu quero é jogar."

Lars Baron / Getty Images

Pepe fez esta terça-feira de manhã treino condicionado devido a uma mialgia na coxa esquerda e não é certo que recupere a tempo do jogo, como explicou Fernando Santos."Vou dar-vos uma noite de insónias", gracejou, "e eu vou dormir". "Já não é uma situação nova, já aconteceu com Quaresma. Tomaremos a decisão esta quarta-feira, sem dramatismos."

Independentemente da presença de Pepe, é praticamente certo que Fonte será titular e o central do Southampton diz que a experiência que acumulou nos vários campeonatos ingleses pode ser um trunfo na abordagem à "batalha", como apelida o jogo diante de Gales. "Conheço-os bem. Nunca desistem, têm um sistema que funciona para eles, têm grande capacidade física e paixão mas já não é apenas o típico futebol britânico, também têm qualidade técnica. Esperamos uma batalha. Vamos ter as nossas armas mas não vou dar o nosso plano, só se o mister quiser fazê-lo."

Mas o 'mister' não quis fazê-lo, obviamente. "Estudámos muito bem a equipa, porque sabemos que tem uma forma de jogar de diferente e estamos preparados", disse, sem querer falar sobre as qualidades da maior estrela galesa, Gareth Bale. "Não sou comentador, sou selecionador", respondeu, acrescentando também que não vê "nenhum pressão adicional" em Bale e Ronaldo estarem na disputa pela Bola de Ouro: "Os jogadores têm todos o mesmo objetivo, que é chegar à final, não apenas Bale e Ronaldo. A gente não vai disputar nenhuma Bola de Ouro".

Miguel A. Lopes / Lusa

Ainda assim, Fernando Santos deixou elogios para o 'novo' Ronaldo. "Estou absolutamente convencido que se vai manter focado, porque ele tem sido inexcedível pela equipa, em campo e no estágio com os colegas", disse, não querendo comentar a transferência de Nani para o Valência - "o Valência não vai jogar esta quarta" - nem a possível mudança de André Gomes (já a 100%) para o Real Madrid. Mas falou de Renato Sanches, entre gargalhadas, quando questionado sobre a idade do jogador: "Toda a gente conhece o Renato. Nasceu em Portugal, como eu, e foi registado em Portugal, como eu. Só que ele foi registado há 18 anos e eu há 61 anos. Isso é uma brincadeira, é um fait divers".

Apesar de poder beneficiar com as ausências dos galeses Aaron Ramsey e Ben Davies, Fernando Santos mostrou-se contra as suspensões de jogadores durante a fase eliminatória da prova. "Também não vamos ter o William. É sempre pena para o espectáculo. Não faço as regras mas se fizesse diria que para lá da fase de grupos não deveria haver essa suspensão, a não ser que fossem expulsões."

ERIC GAILLARD / Reuters

Questionado sobre o carácter decisivo do jogo, Fernando Santos não quis dizer se era a partida mais importante da carreira. "Isso deve ter sido o primeiro. Ou como é o de amanhã talvez seja o mais importante por causa disso. Como a minha avó dizia, o importante é acordar de manhã porque quer dizer que estamos vivos", disse, aproveitando para agradecer "o amor à pátria" dos adeptos que seguem a seleção para todo o lado.

E o resto, como se diz, é história. "Isso de termos sete meias-finais... A história temos de escrevê-la nós. O nosso país tem uma história bonita, não só no futebol, mas agora o importante é querermos nós fazer história."

  • Jorge Andrade: “Renato Sanches não deve ligar a jogos sujos”

    Diário

    Jorge Andrade não vai na cantiga de Fernando Santos, quando diz que não liga a que a seleção jogue bonito ou feio. O ex-internacional, que se estreou no Mundial da Coreia/Japão e abandonou precocemente os relvados devido a uma grave lesão que o afastou do Euro 2008, garante que se Portugal não joga melhor é por mérito dos adversários. Nada que lhe abale a confiança na vitória aos galeses, “inferior a Portugal”. O segredo para rumar à final do Euro 2016 está na defesa. Palavra de central