Euro 2016

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Boa Morte: “O Chris mandou-me mensagem a perguntar quem é que ia apoiar”

É garantido que não há um português que conheça melhor o selecionador galês do que Luís Boa Morte. Chris Coleman foi colega do internacional português no Fulham e depois foi treinador dele, em Inglaterra e na Grécia

Bryn Lennon

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O Chris Coleman disse na conferência de imprensa de antevisão do Portugal-Gales que a experiência na Grécia, no Larissa, o tinha marcado muito, apesar de ter saído por não lhe pagarem. O que aconteceu com ele foi o que aconteceu comigo: decidimos sair do futebol inglês para ir para a Grécia e tentar ter uma experiência diferente. Abandonar um projeto a meio nunca é o ideal, mas eles não cumpriram, foi pena. Eu saí em dezembro e ele saiu janeiro. Mas, como ele disse, acredito que tenha aprendido muito, porque era uma experiência nova para ele, fora do país onde costumava estar e quando se é treinador e se está sem trabalho tem de se fazer opções.

Chegaste lá depois dele? Sim, ele aceitou ir para lá e depois convidou-me a mim, porque já me conhecia do Fulham. Foi uma grande mudança para mim, mas aceitei porque já o conhecia bem, como ex-colega de equipa e como treinador, e dávamo-nos bem. Não foi preciso muito para me convencer [risos].

Ainda falas com ele? Sim, hoje em dia ainda mantemos contacto. Aliás, já falámos sobre o jogo e tudo, por mensagens. Disse-lhe logo nos quartos de final que ainda ia jogar contra Portugal e foi mesmo. Ele mandou-me mensagem a perguntar quem é que eu ia apoiar hoje [risos]. Disse-lhe que Portugal, claro.

Ficaste surpreso com a prestação de Gales? Não me causa qualquer espanto, sinceramente. Acho que eles estavam cientes que estavam num grupo difícil, mas o objetivo era tentar passar a fase de grupos.

Como é o Chris Coleman enquanto treinador? É um treinador muito aberto, próximo dos jogadores. Ele gosta muito de conversar com os jogadores, ouvir o que eles têm para dizer. É sério quando tem de ser e brinca quando tem de brincar. Nota-se bem que o grupo galês está com ele, até em campo se nota isso, como se viu quando recuperaram do resultado desfavorável com a Bélgica. Acho que Gales é uma equipa à imagem dele.

Como jogavam com ele a treinar-vos? Não jogávamos em 3-5-2, jogávamos em 4-3-3 ou em 4-4-2. Gales joga agora assim porque, como ele diz, já teve várias experiências e agora teve de se adaptar aos jogadores que tem para tentar retirar o melhor da equipa.

E como jogador, como era? Era um central forte, canhoto, muito bom no jogo aéreo. Era um bom jogador.

O típico britânico? Sim. Era o capitão do Fulham e era o líder da equipa, comandava tudo muito bem a partir da defesa.

Foi estranho passar a tê-lo como treinador, depois de ter sido colega de equipa? Claro, num minuto a cumplicidade é uma e no outro temos de saber separar as águas. Foi difícil, mas sempre nos demos bem e foi ele que me fez capitão no Fulham. E hoje em dia quando falamos ainda nos tratamos por "gaffer" e "skipper", ou seja, "treinador" e "capitão" [risos].

O que irá ele dizer na palestra antes do jogo desta noite? Se bem o conheço, vai focar-se de certeza nas qualidades de Gales. Ele focava-se sempre no acreditar e nos que podíamos fazer e na qualidade que tínhamos, sem grandes discursos sobre o jogo em si, porque durante a semana já se tinha feito a observação do adversário e ia-se falando sobre isso. No dia do jogo não faz sentido estar a massacrar os jogadores sobre a equipa adversária durante uma hora. O mais importante já foi transmitido antes.

Quem pensas que vai ganhar? Estamos todos à espera de ver, não é? Não sou vidente [risos]. Acho que vai ser uma meia-final super disputada e Gales vai entregar o jogo a Portugal para que Portugal o assuma e eles tentem chegar ao golo no contra ataque.

Mas Portugal também não tem assumido muito os jogos que tem tido. Então vamos ter duas equipas em que ninguém quer assumir [risos]. Tem-se falado muito sobre as exibições e acho que é difícil agradar a gregos e a troianos. Há quem goste de estar na meia-final e não queira saber como, e há outros que gostam de jogar bem também. Sou da opinião de que podemos jogar bem e conseguir resultados, mas estarmos a conseguir um futebol bonito e não chegarmos a lado nenhum também não é o que se quer. Então se calhar mais vale apostar mesmo no produto final, com objetividade. Tem funcionado.

Clive Rose

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