Euro 2016

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Coleman, “um gajo dez estrelas”

Hoje joga no Arouca, mas em 2011/12 Zequinha jogava nos gregos do Larissa e era treinado por Chris Coleman, o selecionador que levou o País de Gales às meias-finais de um Europeu pela primeira vez

FERNANDO VELUDO

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Zequinha teve a sua primeira experiência no estrangeiro em 2011/12, aos 25 anos, quando foi jogar para o Larissa, na Grécia, juntamente com Luís Boa Morte (também o entrevistámos - leia aqui). O treinador era um galês mais ou menos desconhecido fora do Reino Unido, que decidiu partir à aventura por estar então desempregado: chamava-se Chris Coleman e hoje é selecionador do País de Gales

Lembras-te dessa época com o Chris Coleman? Lembro-me, claro. Ele saiu a meio da época porque o clube estava lá com uns problemas. Posso dizer-te que como pessoa ele é dez estrelas mesmo e como treinador dá toda a confiança possível aos jogadores para eles corresponderem e darem tudo por ele. Sinceramente é por aí que acho que tem passado o sucesso de Gales, porque eles dão a vida por ele e aquilo vê-se que é mesmo ele a motivar.

Ele já fazia isso na tua altura então? Ele gostava que os jogadores deixassem sempre tudo em campo e nunca parava de incentivar. Ele fala muito com os jogadores, porque gosta de ver trabalho da parte deles, mas também gosta que eles estejam livres e à vontade.

Quando chegaste ele já lá estava? Sim, ele foi para lá e depois ele chamou o Luís [Boa Morte] para ir também, porque ele já conhecia o Chris de Inglaterra, e chamou-me a mim também, porque me conheceu na altura através de um empresário.

Ele deu-se bem na Grécia? Ele quando chegou lá teve de se adaptar, porque os gregos têm uma maneira diferente de encarar o futebol, por isso era um estilo grego mas com as ideias dele. E digo-te que a gente estava muito bem até ele se ir embora em janeiro. Ele como jogou em Inglaterra muitos anos tem muito aquela mentalidade do trabalho e da relação com os jogadores e toda a gente gostava disso. É um treinador com o qual podias mesmo discutir os assuntos todos, sem problemas nenhuns.

Ralhou alguma vez contigo? Não, falávamos bem, à vontade, mas se houvesse algum exercício a correr menos bem ele também falava logo. Como te digo, era um gajo dez estrelas e aprendi mesmo muito com ele. Foi a minha primeira experiência no estrangeiro e fiquei muito triste quando ele se foi embora - e os meus colegas também.

Ele disse que se foi embora porque não lhe pagavam. Pois, na altura também tive esses problemas, porque o clube supostamente ia jogar na 1ª liga, era uma equipa grande da Grécia, mas depois descemos na secretaria e tivemos de jogar na 2ª divisão. Houve problemas porque tínhamos 15 estrangeiros e na 2ª só podiam jogar cinco, portanto as coisas começaram a complicar-se muito para todos.

Como é que jogavam na altura? Não jogávamos em 3-5-2 como Gales agora, era em 4-3-3. Era uma filosofia de muito trabalho e de um jogo mais defensivo, como era o estilo grego, mas também a saber bem quando sair para atcar, para sair para transições rápidas para a baliza. Acho que Gales está a ter o sucesso que está a ter por isso, pelas ideias dele e pela grande união que ele consegue impor na equipa.

Mesmo assim vês Portugal como favorito? Acho que com a seleção que temos é claro que temos mais possibilidades de ganhar. Temos os nossos valores individuais, apesar de ultimamente estarmos a jogar de maneira diferente, mas acredito que podemos passar facilmente. Temos é de dar tudo, ter os pés no chão e humildade para continuar.