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Deixem-nos sonhar!

Pedro Cruz evoca o magriço José Torres uma série de banalidades e frases feitas. Porque #andatudoapensarnomesmo

Pedro Cruz

© Rafael Marchante / Reuters

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Julgo que a frase é de José Torres, um dos magriços, que quando foi selecionador nacional quis sonhar.

Sonhou alto e Portugal foi apurado - já não me lembro para que fase final. Nem interessa. O que interessa aqui é a parte do sonho.

Os sonhos não pagam impostos, nem sobretaxa, nem estão sujeitos a sanções, a geringonças, a diretórios europeus.

«Que se foda», como diria, e bem, o Ronaldo. «Se perdermos, perdemos». Tal e qual.

Deixem-nos mas é sonhar.

As meias-finais são o jogo mais estúpido de qualquer competição.

Foi preciso muito, ainda que desta vez quase só empates e uma vitória dentro dos 120 - não conta, dentro dos 120? -, para chegar às meias e agora estamos naquele momento de morrer na praia, com o desconsolo de só ter faltado um bocadinho assim...

As finais são para ganhar.

Ou seja, depois de lá chegar, passando o tal jogo estúpido - este - das meias-finais, depois, depois tudo pode acontecer.

São onze contra onze, a bola é redonda, cada jogo é um jogo e mais uma série de banalidades e frases feitas que, só por serem feitas, e repetidas até à exaustão, não deixam de retratar a realidade tal como ela é.

Sim, são onze contra onze (e no fim costuma ganhar a Alemanha, mas desta vez não nos dá jeito o adágio).

Sim, a bola é redonda, o que dá para tudo e para nada.

Sim, cada jogo é um jogo e os que hoje foram bestas amanhã podem ser bestiais.

A verdade é que #andatudoapensarnomesmo e lá no fundo no fundo, por mais céticos que estejamos ou sejamos, temos todos a secreta esperança que desta vez é que vai ser, é só mais um bocadinho, está quase lá, quem sabe!

Deixem-nos sonhar.

Só um bocadinho.

Logo à noite, ou no domingo, voltamos à vida.

À vida de sempre.

Por isso, hoje, mais logo, rapazes, vamos lá a isto.

Façam-nos sonhar alto.