Euro 2016

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Jorge Andrade: “Renato Sanches não deve ligar a jogos sujos”

Jorge Andrade não vai na cantiga de Fernando Santos, quando diz que não liga a que a seleção jogue bonito ou feio. O ex-internacional, que se estreou no Mundial da Coreia/Japão e abandonou precocemente os relvados devido a uma grave lesão que o afastou do Euro 2008, garante que se Portugal não joga melhor é por mérito dos adversários. Nada que lhe abale a confiança na vitória aos galeses, “inferior a Portugal”. O segredo para rumar à final do Euro 2016 está na defesa. Palavra de central

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Vêm aí os galeses. O que é que Portugal tem mesmo de fazer para chegar à final?
Temos de ser mais eficientes, tanto a defender como a atacar. Sofremos muitos golos com seleções inferiores na fase de grupos, três só com a Hungria, e agora não podemos correr esse risco. Nem podemos entrar a jogar mal e a perder, como aconteceu com a Polónia, pois irá condicionar toda a estratégia de jogo.

A equipa de Fernando Santos ainda não ganhou um jogo no tempo regulamentar. A crise de concretização do costume?
A eficácia ne concretização não é o nosso forte, mas acho que a estratégia de seguir em frente passa mesmo por uma maior preocupação defensiva. Nesta fase, mal a equipa perca a bola tem de ser rápida a reagir, a assumir o controle e a acelerar o jogo. Nas meias-finais, o normal é arriscar pouco, jogar pelo seguro, com as seleções a terem muito respeito umas pelas outras.

É um central a falar?
É ser realista, que sem cautela e equilíbrio não se chega às finais.

Daí ser fundamental a recuperação de Pepe.
É um grande pilar da defesa e acredito que recuperará.

Como explica o circo de penáltis deste Europeu?
Exatamente pela grande preocupação defensiva que as seleções têm tido na prova para não sofrerem. Até a Islândia, que foi uma das sensações do Euro e não tinha mais nada a provar, deixou de jogar taco a taco com a França.

Portugal ganha mas não encanta. Fernando Santos está a ser pragmático ao sacrificar o futebol bonito?
Todos os treinadores gostam que a equipa jogue bem. Se a equipa não joga melhor, não é porque Fernando Santos esteja a sacrificar voluntariamente o bom futebol - tem sido, sim, mérito dos adversários. Se não joga o jogo pelo jogo, é devido às dificuldades alheias.

Ramsey e Davies não jogam as meias-finais...
É uma ótima notícia para nós. O Ramsey bate muito bem cantos e bolas paradas. É menos um perigo para Portugal. E o facto de o Davies também não estar fragiliza Gales, pois vai alterar as dinâmicas de jogo. E quem entrar vai ter menos ritmo e rotinas de jogo.

Como será o duelo Ronaldo / Bale, colegas no Real Madrid?
Este não será um jogo de estrelas, mas de equipa. E Portugal é superior a Gales.

Cristiano Ronaldo tem estado uma sombra...
Falta-lhe explosão, o que é natural nesta fase da época. Parece-me que chegou muito desgastado fisicamente após o jogo da Champions. Individualmente, as coisas não lhe têm saído bem, mas a nível coletivo tem trabalhado bem e ajudado os colegas.

Já Renato Sanches superou as expectativas.
Foi uma das surpresas da lista de convocados e dos titulares. É destemido, uma força para Portugal e consegue refrescar a equipa.

Começou a circular que será cinco anos mais velho que o bilhete de identidade...
É uma estratégia para desestabilizá-lo. Não deve ligar a esse tipo de jogos sujos.

Prefere a Alemanha ou a França na final?
Será uma final igualmente difícil. Já perdemos com a França em 84 e só superámos a Alemanha no Euro 2004. Numa final tudo pode acontecer. Ganhar ou perder irá depender de coisas mínimas, como ter ou não jogadores castigados ou lesionados. Mas tenho fé que podemos ser campões europeus.