Euro 2016

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O atrevimento, o rigor, a despreocupação e as tranças - o que o “Le Monde” diz sobre Renato

O jornal francês dedica uma página ao jogador português mais jovem de sempre a marcar numa fase final

Rui Cardoso

Alex Livesey

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Não é todos os dias que um português, muito menos um atleta, enche uma página do diário “Le Monde”. Mas foi o que aconteceu com Renato Sanches que a edição de hoje (pág. 16) considera “a revelação do Euro 2016”, num artigo assinado por Anthony Hernandez e Gilles Rof.

“Com a despreocupação dos jovens, um ar de miúdo e rastas” bastaram-lhe quatro jogos para se tornar essencial à Selecção Portuguesa. E para bater um duplo recorde: a mais jovem internacionalização e o mais jovem marcador de sempre, destronando Cristiano Ronaldo. Este, não só não parece sentir-se incomodado pelo brilho desta estrela em ascensão, como “o tomou sob a sua protecção, tal como Figo fizera com ele próprio em 2004”.

O jornal francês não deixa de aflorar as suspeições lançadas pelo presidente do Sporting sobre a verdadeira idade de Renato, usando, a propósito, as palavras “inveja” e “falsa polémica”: “Não é a primeira vez que o Sporting lança este tipo de dúvidas sobre atletas africanos ao serviço do Benfica”. Refere-se a este propósito que o registo de nascimento só foi feito cinco anos depois devido à separação dos pais, ele são tomense e ela cabo-verdiana.

“Le Monde” recorda que há nove meses Renato Sanches ainda jogava na Equipa B do Benfica e que a sua afirmação na formação principal “coincidiu com a cavalgada para a conquista do título e a ultrapassagem do Sporting”. Uma vez escolhido pelo seleccionador nacional, Fernando Santos, a popularidade de Sanches foi ilustrada pelo incidente no jogo amigável com a Bulgária: o espectador que invadiu o campo veio abraçar, não aquele que seria o alvo mais óbvio do seu afecto, ou seja, Cristiano Ronaldo, mas sim Renato Sanches.

É descrito como alguém que dinamiza a equipa portuguesa “graças ao seu atrevimento”, tendo-se ainda revelado um jogador “rigoroso nas recuperações de bola e capaz de destabilizar uma defesa bem organizada”. O comportamento no final do prolongamento do jogo com a Polónia é considerado exemplificativo do seu estado de espírito e da sua eficácia. Não só não teve medo de bater o segundo penalti, logo a seguir a Ronaldo, como o fez “descontraído mas cheio de confiança”.

“Ainda perde muitas bolas mas tem um enorme caminho à sua frente”, concluiu “Le Monde”.