Euro 2016

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Avenida dos Aliados no Porto pequena para tanta emoção

"Campeões, somos campeões". Foi com estes gritos eufóricos, numa explosão de alegria, que milhares de adeptos de Portugal festejaram a conquista do título europeu, num cenário vermelho e verde, na avenida dos Aliados, no coração da cidade do Porto.

© Robert Pratta / Reuters

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Muitas lágrimas de felicidade, abraços entre desconhecidos e muita emoção, tudo por um único fim que, com grande ansiedade, luta e paciência, foi conseguido, no final das contas.

A história que todos os portugueses queriam ver escrita foi assinada, nesta final, por Éder que, com o golo da vitória, encheu também o coração dos 11 milhões de adeptos de uma alegria que apenas o futebol consegue dar.

Antes do início da partida, a avenida dos Aliados voltou a encher-se, desta feita com mais precisão e abundância, preenchendo todos os espaços em frente aos três ecrãs gigantes, distribuídos em 250 metros de calçada portuguesa.

A temperatura de todos os que quiseram assistir ao jogo no estádio improvisado foi subindo à medida que o início do jogo se aproximava. O mesmo já não se podia dizer do clima, que arrefecia consideravelmente obrigando a improvisar as 'vestimentas' verdes e vermelhas com casacos em nada a condizer.

Odete dos Cachorros tem poucos dias como o de hoje. O negócio do 'hot dog' esteve ao rubro na sua barraca e Odete não teve mãos a medir para tanta procura.

"Os dias de festa são sempre assim. Mas, infelizmente, temos tido poucos. Esta festa é diferente. Estamos todos unidos por Portugal. E ainda bem que vêm todos com fome", brincou a senhora que mal conseguia falar, compenetrada no fervoroso processo produtivo quase mecanizado.

O jogo começou e os nervos apoderaram-se da maioria dos presentes que mal conseguiam controlar a ansiedade de ver Portugal marcar um golo.

À meia hora de jogo, num golpe de infortúnio (e não só) Dimitri Payet atirou Cristiano Ronaldo para fora da final do Europeu, com uma entrada feia que lesionou o capitão português, deixando revoltada a multidão que insultava o francês com palavras impróprias para os mais sensíveis.

Rogério Andrade não assistiu a esse momento. Tinha aproveitado uma vaga nas casas de banho colocadas propositadamente no centro da Avenida para aliviar a bexiga, que reclamava de tanta cerveja bebida. A surpresa foi total.

"Bebi muita cerveja antes do jogo e já não estava a aguentar mais. Quando estava na casa de banho ouvi um barulho ensurdecedor e, por momento, pensei mesmo que Portugal tinha marcado. Apressei-me e já ia pronto para festejar. Mas mal pus o pé fora percebi que não havia motivo para festejos. Raios partam os franceses. Arrumaram o melhor do mundo. Mas eles vão ver que nem isso nos pára", disse incrédulo.

O nulo foi-se mantendo ao longo de todo o jogo. Nada a que os portugueses não estivessem habituados.

A poucos segundos dos 90, a multidão gelou com um remate de Gignac que quase terminou em golo.

Recuperadas as emoções, seguiu-se o prolongamento. E também esse foi impróprio para cardíacos.

O golo de Éder, aos 109 minutos (a 11 do fim do prolongamento), levou ao rubro os milhares de adeptos presentes da baixa do Porto, numa emoção que se manteve até ao apito final, e que culminou com lágrimas de alegria e festejos efusivos que vão, com toda a certeza, manter-se pela noite dentro.

Lusa