Euro 2016

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E se aquele islandês chamado Traustason não tivesse marcado?

O islandês Arnor Ingvi Traustason precisou de apenas 11 minutos no Euro 2016 de futebol para ficar na história do seu país e escrever o destino da seleção... portuguesa

Lusa

© Darren Staples / Reuters

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A 22 de junho, na última jogada de todo o desafio, este "desconhecido" de 23 anos marcou o golo da primeira vitória de sempre da Islândia num Campeonato da Europa, no triunfo por 2-1 sobre a Áustria, país onde ironicamente vai viver e representar as cores do Rapid Viena.

Com esse golo, aos 90+4 minutos, Traustason ganhou direito a ficar eternizado na história do futebol islandês, mas o seu efeito acabou por ser ainda maior, tendo traçado o percurso que Portugal iria ter até à final do Stade de France.

Um segundo antes de o extremo meter a bola na baliza de Almer, com um remate em esforço com o pé esquerdo e com alguma ajuda do guarda-redes austríaco, a seleção lusa tinha duelo marcado com a Inglaterra, em Nice, nos oitavos de final.

Nessa altura, o Portugal-Hungria (3-3) já tinha terminado em Lyon, com a formação de Fernando Santos a festejar o apuramento no segundo lugar do Grupo F, atrás dos húngaros, que venceram o agrupamento.

O feito de Traustason fez Portugal cair para o terceiro e, mais importante, deixou a seleção lusa num enquadramento bem mais simpático para poder chegar à final, o que acabou por acontecer, tendo ultrapassado Croácia, Polónia e País de Gales para estar no dia 10 de julho em Paris.

A má pontaria do islandês teria resultado num caminho bem mais assustador para os jogadores de Fernando Santos, começando logo em Nice nos oitavos, embora num passado recente Portugal mandou por duas vezes os ingleses mais cedo para casa (Euro 2004 e Mundial 2006), sempre nos penáltis.

Nos quartos de final, a seleção nacional teria que medir forças com a França, a atuar em casa em Saint-Denis, e o acesso à final seria decidido com a Alemanha, atual campeão mundial, em Marselha.

Ao todo, Traustason atuou apenas 11 minutos no Euro 2016, tendo entrado aos 80 frente à Áustria e aos 89 com a Inglaterra, mas foi suficiente para deixar marcar na competição e, talvez, ficar ligado ao primeiro título de sempre de Portugal.

Arnór Ingvi Traustason, que durante muitos anos foi um dos cerca de oito mil habitantes de Keflavik, no sudoeste da Islândia, atuou nas últimas duas temporadas no IFK Norrkoping, da Suécia, e antes de participar no Euro 2016 assinou pelo Rapid Viena, vice-campeão austríaco, apesar de ter tido propostas de clubes como o Aston Villa e o Celtic.

O Portugal-França está agendado para as 21:00 locais (20:00 horas de Lisboa) e terá arbitragem do inglês Mark Clattenburg.