Euro 2016

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Isto vai ser a tomada da Bastilha

O Comendador de bigode escreve sobre o jogo que todos queremos ganhar

Comendador Marques de Correia

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Eu confesso já que preferia os boches aos franciús por motivos que passo a expor: os boches, além de não estarem a jogar em casa têm o povo da Europa do Sul todo contra eles. Assim, mal a malta entrasse no estádio era tudo do nosso lado. Até os franceses e os italianos e espanhóis. Tudo!

Além disso temos uma boa história com os gajos. Um dia o Carlos Manuel enfiou-lhe um petardo de fora da área que só parou anichado no fundo das malhas, como diria o Gabriel Alves e antes dele o Alves dos Santos e antes dele o Santos Martins, aquele que era médico e tem uma estátua cheia de flores ao Campo de Santana. Onde é que eu ia? Já sei! Contra a Alemanha, tínhamos o golaço do Carlos Manuel e ainda um episódio de 3-0 constituído por um hat trick, ou truque de chapéu em português, do Sérgio Conceição, que era um badocha tipo Eliseu.

Com a França, a última vez que ganhámos ainda os Cátaros dominavam a Provença – deve ter sido aí no séc. IX. Além disso, temos mesmo de comprar o árbitro, porque os tipos estão a jogar em casa e eles, em matéria de orgulho pátrio não deixam nada por fazer. Numa meia-final contra eles o desgraçado do Abel Xavier caiu e quando ia por a mão no chão para se amparar, levou com a bola no braço e o sacana do árbitro marcou penálti. Já a grande penalidade que marcaram contra o tipo da Alemanha que tem nome de marca de cerveja, o Schweinsteiger, foi muito duvidoso… Depois de ver aquilo, quero crer que se o Abel Xavier estiver a dar uns toques na Costa da Caparica e bater com a mão na bola o árbitro marca penalti contra nós em Paris.

Por isso a gente tem de arrumar a questão de vez. E é nestes momentos que sentimos a falta que fazem em Portugal grandes homens que sejam capazes de comprar um árbitro. Não temos, nem nunca tivemos. Os nossos dirigentes do futebol foram sempre do mais limpinho, limpinho que há. Mas, ainda assim, eu penso que o senhor Fernando Gomes devia chegar-se à frente e oferecer ao árbitro uma lembrança. Tipo o Novo Banco, ou uma coisa desse género, que de qualquer modo ninguém quer mas que ele, o árbitro, fica todo contente: “ Ah, tenho um banco e tal…”

Em segundo lugar, porque estas coisas são sempre três, o Pepe tem de jogar. O Pepe coxo é melhor do que os outros com três ou quatro pernas. Por isso o Santinho tem de meter o Pepe. A menos que árbitro, pelo Novo

Banco prometa que a gente ganha e que além disso não expulsa o Bruno Alves. Embora isso me pareça já ser pedir de mais ao homem.

Em terceiro, aqueles impulsores atómicos nas botas do Ronaldo têm de ser bem cuidados e escondidos. Até agora, ainda ninguém descobriu a marosca. Mas o Ronaldo, desta vez, pode voar aí uns bons metros, mais do que os irmãos Wright quando inventaram a aviação e meter golos ao malandro do Lloris.

Devíamos ganhar por três ou quatro, para não haver dúvidas. Depois descíamos os Campos Elísios em marcha triunfal, com bandeiras portuguesas a acenar e todas as porteiras de Paris a cruzar as vassouras, como os militares cruzam as espadas, sobre os nossos homens.

Uma vez na Concorde haveria discursos inflamados e depois seguia-se para a Bastilha, onde dia 14 se comemora a passagem do 227º aniversário da Revolução Francesa. Só voltaremos a Portugal no dia 15, Santinho. Vai ser uma festa de arromba.

E vocês perguntam: e se perdermos?

E eu respondo como o Ronaldo: ‘Ó companheiros, quem está motivado e decidido sabe que essa não é uma pergunta que se faça!”.