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Marco Grieco, diretor de arte do Expresso,escreveu um poema que embala Portugal até à final

Marco Grieco

Stu Forster

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Vou nas velas da história
Cruz de Cristo mundo afora
Aventura sem memória
De voltar não tenho hora

Barcos vikings vêm do Norte
Sigo em paz o meu caminho
São mais altos, são mais fortes
Mas com Deus não vou sozinho

Vou nas vagas da incerteza
Vago em busca da bonança
Com denodo, com destreza
Nunca perco a esperança

Os Habsburgos a seguir
São guerreiros decididos
Não se deixam iludir
Não se levam por vencidos

Vou nas rotas do desejo
Lá tão longe de alcançar
Mais difíceis que prevejo
Calo o medo de falhar

À terceira, é vida ou morte
Na batalha mais sangrenta
Conservado pela sorte
Sobrevivo à tormenta

Vou na via mais tranquila
Sonho já com a recompensa
Minha audácia não vacila
Minha sede é mais que imensa

Com os eslavos adriáticos
Travo uma luta angustiante
Mesmo contra mestres táticos
Minha bandeira segue avante

Vou nas margens do sucesso
Indignas difamações à parte
Noto em mim claro progresso
No meu dom, na minha arte

Os polacos à espreita
Acham que me surpreendem
De mim não levam colheita
Minhas armas não se rendem

Vou no curso do destino
Concentrado em conquistar
Vou com sonhos de menino
Mas ganas de lobo-do-mar

Aos galeses não perdoo
Sua arrogância tão injusta
Atinjo-os em pleno voo
Desprezar já não me custa

Vou nas águas de Paris
Que estou mesmo a chegar
Já aprendi a ser feliz
Já ninguém me vai parar

Filhos de um Napoleão
Testemunhem minha glória
Eu sou toda uma nação
Com desejo de vitória

Vou nas asas de Camões,
De tantos santos, cristianos
Vou gritar, plenos pulmões
Minha honra tem mil anos

E hoje é com a força toda
Por Águias, Leões e Dragões
Que se dane, que se foda
Hoje somos campeões