Euro 2016

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Vem aí a ressaca. Deem-nos um Guronsan, já

Depois do apito final em Paris, no Stade de France, neste domingo, vamos todos ter de descer à Terra. O golpe pode ser duro e o melhor é estar preparado.

Hugo Franco

GEOFFROY VAN DER HASSELT

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A festa vai acabar. Não vale a pena fazer como as crianças que se recusam a aceitar a verdade. Vão acabar as maratonas com cheiro a reveilon na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa ou na Avenida dos Aliados, no Porto. Vão acabar as promoções de cerveja a 50% nos supermercados a pretexto da bola. Vão acabar as novelas que metem microfones, lagos e mergulhadores. Vão acabar os golos que parecem acrobacias saídas do voleibol ou os dramas chamados penalties. Vão acabar as filas nas autoestradas duas horas antes dos jogos da seleção. Vão acabar os gritos, os abraços, os suspiros, as lágrimas, as mãos transpiradas, as unhas roídas e os tiques nervosos de todo o género.

Depois desta final de Paris, no Stade de France, vamos dizer adeus a diálogos como estes:
- Amanhã o jogo é que horas?
- Não sei, sabes se o Pepe vai jogar?

As conversas vão voltar a ser mais ou menos assim:
- Amanhã sais a que horas de casa?
- Não sei, sabes se há ovos no frigorífico?

A rotina vai regressar, o que até é bom por vários motivos. Lembramo-nos rapidamente de cinco:

1) Vamos poder jantar sem ter a televisão sintonizada em mais um jogo de futebol que se prolonga por 120 minutos;

2) Os velhotes podem voltar a jogar à bisca descansados nas mesas da Alameda;

3) Os jogadores do Sporting (e também das outras equipas) vão poder ir de férias finalmente;

4) A consulta do cardiologista pode ser desmarcada. Era falso alarme, coisas do futebol;

5) O trânsito vai ficar mais calmo ao final do dia, pelo menos durante o verão;

Há ainda outras coisas menos más que desaparecem. As discussões sobre as opções táticas do engenheiro ou as dúvidas da condição física do Cristiano Ronaldo já estavam a irritar um bocado. Também já podemos ir para a praia descansados sem ter de pensar em sair mais cedo para arranjar um sítio porreiro para ver o jogo. É aproveitar para relaxar e descansar também dos comentadores e cronistas de futebol com a mania que são videntes.

Assim à partida até parecem ser mais os prós do que os contras. Mas é só porque nos esquecemos de referir todas as coisas positivas que trouxe este campeonato europeu de futebol de 2016 (principalmente porque tem a seleção nacional na final). Algumas delas parecem saídas de um livro de magia. Vamos ser rápidos, muito rápidos a enumerá-las:

1 - A cabeça de Cristiano Ronaldo a tocar os céus de Lion;
2 - O voo de vários metros de Rui Patrício naquele penalty;
3 - O remate do Renato Sanches que nos voltou a dar esperança;
4 - O golo-milagre de Quaresma mesmo, mesmo no final do prolongamento;

Havia mais, muito mais para contar sobre o que se passou nos últimos quinze dias em França. E o impacto que uns meros pontapés numa bola tiveram a dois mil quilómetros de distância. É verdade que nem sempre podemos andar nas nuvens mas para prevenir o duro banho de realidade que aí vem o melhor seria comprarmos já uns quantos guronsan ou outros remédios e mezinhas para evitar a ressaca. É que a festa vai mesmo acabar. Acreditem. Pelo menos até dia 7 de agosto, altura em que arranca a próxima época de futebol. Aí a festa é outra e menos unanime...