Euro 2016

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Um incrédulo Adrien explica os nervos de Ronaldo (e junta-se a uma cantoria muito especial)

Já passava das duas da manhã quando os jogadores apareceram na zona mista do Stade de France. Depois de responder em francês e em inglês, Adrien falou em português, sempre com um sorriso na cara: “Também já não sei mais línguas”. Esqueceu-se que também sabe a do futebol, porque agora é campeão europeu

John Sibley / Reuters

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Como é ser campeão da Europa?
Nem consigo ainda pensar bem no que aconteceu. A página que conseguimos escrever é fora do normal, um sentimento fantástico. Acabar a época desta maneira é grandioso. Foi um jogo magnífico.

Saíste cedo e…
[interrompe] Aos 65 minutos, para aí.

Foi pior cá fora?
É muito pior, são minutos muito intensos. Ainda por cima tinha o Ronaldo ao pé de mim e ele não parava um minuto [risos], por isso era pior ainda. Não parava de incentivar os colegas e de dizer que era possível, para toda a gente acreditar. E foi isso que aconteceu.

O Ronaldo parecia um treinador também.
Esteve sempre connosco, a apoiar os colegas em todos os momentos, é esse o papel do capitão.

Aqueles últimos minutos depois do golo do Éder…
Então aí parecia que os minutos nunca mais passavam, mas felizmente acabou bem.

Antes do jogo, o teu irmão disse que achava que tu ainda não te tinhas apercebido bem do teu salto – na bancada como adepto no Euro 2004 e agora campeão da Europa.
É verdade. E continuo sem perceber mesmo, pela grandeza que conseguimos atingir. Tive oportunidade de falar com ele antes e relembrar os momentos maus da minha carreira, ele fez-me relembrar isso para me dar mais força e agarrar esta oportunidade e este momento único que qualquer jogador quer viver.

E depois disto, o que é que há mais acima?
[risos] Nem sei. Agora é festejar, já não há mais nada a fazer. Fizemos o que nos competia para todas as pessoas que nos acompanharam aqui e em Portugal, é incrível. Ainda hoje [ontem] durante todo o caminho para o estádio, estavam por todo o lado e isso deu-nos muita força.

A tua mãe é francesa. Ficou dividida?
Isso não há dúvida nenhuma, está mais do que feliz. Nem sequer houve hesitação. Ela estava pelo lado do filho e estavam também os meus amigos franceses.

A medalha?
Está aqui, guardada na mochila [risos].

[Entretanto, a conversa é interrompida por uma série de jogadores a fazerem “um comboio” e a gritarem “para nós pouco importa/ se jogámos bem ou mal/ vamos é levar a taça/ para o nosso Portugal" – Adrien junta-se à cantoria e todos vão embora]