Euro 2016

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GRUPO B

A Inglaterra a fazer a sua melhor imitação de Portugal

Ingleses tentaram quase tudo para marcar e acabar em 1º lugar do grupo B, mas a Eslováquia defendeu com tudo e safou-se da derrota. Mais um jogo sem golos no Euro-2016

JEFF PACHOUD

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Não tem nada que saber: eles vestem camisolas vermelhas, eles dominam o jogo e eles não marcam. Eles são portu... Minto, eles são ingleses. Inconfundíveis pelo barulho nas bancadas, mas confundíveis pelo que fazem em campo.

É que a Inglaterra, esta noite, esteve melhor do que a Eslováquia, mas fez tudo para imitar o desfecho dos jogos de Portugal - e até do último jogo que tinha disputado em Saint-Étienne, a 30 de junho de 1998, para o Mundial, quando empatou com a Argentina (e perdeu nos penáltis). Nesse dia, Wayne Rooney tinha 12 anos e "estava a ver o jogo em casa da avó", recordou o capitão aos jornalistas, antes do Inglaterra-Eslováquia.

Hoje, a 20 de junho de 2016, Rooney esteve em Saint-Étienne, mas no banco - infelizmente para quem estava nas bancadas. Roy Hodgson já tinha avisado antes do jogo que ia "refrescar" a equipa e manteve a palavra, fazendo seis alterações: saíram os laterais Rose e Walker e entraram Clyne e Bertrand; saíram os médios Rooney e Alli e entraram Henderson e Wilshere; saiu o extremo Sterling e entrou Sturridge; e saiu o avançado Kane e entrou Vardy. Só não saiu, para tristeza de alguns jornalistas ingleses na bancada, o guarda-redes Joe Hart, que teve duas exibições francamente inseguras nos jogos anteriores - e hoje também ia dando uma fífia na segunda parte.

Apesar das mudanças, os ingleses foram sempre mais periogosos no jogo, porque sabiam que tinham de ganhar para ficarem em 1º e não em 2º lugar do grupo B (porque entretanto o País de Gales ia ganhando à fraquinha Rússia). Sem Rooney em campo, o capitão foi Gary Cahill, mas o verdadeiro líder no relvado foi outro: Eric Dier, que os portugueses reconhecem dos anos que passou em Alvalade, habitualmente como central.

O jogo inglês passou invariavelmente pelos pés do jovem do Tottenham, esta noite a médio (uma "invenção" criada por Jesualdo Ferreira no Sporting, diga-se) que fez os possíveis para aproximar a Inglaterra da área eslovaca, tanto com passes pelo meio, a queimar linhas adversárias, como pelos corredores laterais, a variar o centro do jogo. Ainda que Lallana também tenha uma capacidade técnica acima da média, Dier é um oásis (melhor dizendo, é praticamente um português) no meio do deserto que se reconhece como o jogo habitual dos ingleses, baseado na força e no jogo direto.

É certo que atualmente a Inglaterra já procura escapar a essa matriz, trocando o antigo 4-4-2 clássico (que hoje em dia parece ter voltado a ser moderno, a bem dizer) pelo equilibrado 4-3-3, mas muitas vezes falta alguma criatividade e clarividência nas decisões - a Lallana, a Sturridge e até aos centrais Smalling e Cahill, a quem Dier ia corrigindo passes e posicionamentos.

Nem as entradas de Rooney - que ovações ouviu quando foi aquecer e quando foi para o campo! - e de Alli, na 2ª parte, melhoraram particularmente o meio-campo inglês, mas foi a equipa de Roy Hodgson sempre a forçar mais oportunidades de golo, ainda de que modo meio atabalhoado.

O "cavalo" Vardy, com o seu ar de quem passa férias em Albufeira anualmente, mostrou a Skrtel como se sprinta, ultrapassando-o mesmo partindo de trás, mas nunca conseguiu bater Kozacik, que defendeu sempre tudo o que havia a defender (culpar o guarda-redes também é uma boa tática portuguesa).

O plano B inglês - pôr Éder... perdão, Kane, ao lado de Vardy - também foi posto em prática, mas nem assim os ingleses conseguiram bater a Eslováquia do talentoso Hamsik, esta noite mais apagado do que é habitual, também pela postura mais defensiva da Eslováquia, a quem um empate serve (com 99% de certeza) para passar aos oitavos de final como um dos melhores terceiros classificados.

Resultado final: 0-0 e o 2º lugar para Inglaterra (vai jogar com o 2º classificado do grupo F, de Portugal), no estádio Geoffroy-Guichard, em Saint-Étienne. E a sensação de já ter visto este jogo em qualquer lado.