Euro 2016

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GRUPO C

Não se tratam assim os vizinhos

Cínica, a Polónia limitou-se a esperar por um erro do adversário. E conseguiu, obrigando a Ucrânia a voltar a casa só com derrotas e sem golos marcados

Manuel Barros Moura

© Jean-Paul Pelissier / Reuters

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Para a Polónia este jogo contava apenas para saber em posição do grupo se qualificava. Para os vizinhos da Ucrânia, tratava-se de dar uma imagem diferente da deixada nas duas derrotas anteriores. E o que se viu foi uma exibição de enorme cinismo polaco, que se limitou a tapar os caminhos para sua baliza a aproveitar os erros do adversário. Um caso claro de má vizinhança.

O jogo até começou bem animado. A Polónia, com ténues aspirações a poder ser primeira classifcada do Grupo C, entrou a toda a velocidade. Pode mesmo queixar-se de um fora-de-jogo mal assinalado, que impediu que se adiantasse no marcador logo aos 5 minutos, por Lewandowski. Mas foi sol de pouca dura. Cedo a Ucrânia mostrou que estava em campo disposta a deixar, na despedida, uma imagem diferente daquela que dera nos primeiros dois jogos na competição. Duas derrotas que afastaram, à segunda jornada, da hipótese de seguir em frente.

A verdade é que, durante toda a primeira parte, foi a Ucrânia a mandar no jogo. Dominou as operações, criou mais perigo e podia mesmo ter chegado ao golo, por mais de uma vez, sobretudo por intermédio de Yarmolenko, aos 10 minutos (parece ter sido travado em falta dentro da área) e aos 17, quando, isolado, viu Fabianski negar-lhe a glória.

A Polónia, por seu turno, optava por espera pelo erro do adversário. Confortável na classificação, ia apostando na velocidade de Lewandowski, que quase marcava, aos 20 minutos. Sobretudo a partir da meia-hora, altura e que se soube que a Alemanha já vencia a Irlanda do Norte, a equipa polaca percebeu que não valia a pena forçar o andamento, pois só uma vitória por muitos golos lhe poderia dar o primeiro lugar do grupo.

O segundo tempo começou exatamente como terminou a primeira. A Ucrânia a mandar no jogo, a procurar o golo e a Polónia a fechar-se bem e a tentar supreender. E acabou por conseguir, aos 53 minutos, numa remate cruzado de Kuba Blaszczykowski, que havia entrado após o descanso. E, a partir desse momento, o jogo passou a ter um único sentido: a baliza polaca. Mas a Ucrânia voltou a ser completamente ineficaz, terminando a participação no Europeu de França com o triste palmarés de três derrotas e nenhum golo marcado.

A Polónia, por seu turno, pode gabar-se de se qualificar em segundo lugar, com os mesmos pontos da Alemanha. Vai, agora, defrontar a Suíça, no sábado, às duas da tarde. Um adversário que lhe permite sonhar com os quartos-de-final. Mas vai ter de jogar muito mais. E, já agora, tal como o nosso Cristiano Ronaldo, também Lewandowski vai ter de começar a mostrar serviço.