Euro 2016

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GRUPO D

Nuno Gomes não apareceu e a Espanha já está nos oitavos

Em três minutos, Nolito e Morata destroçaram a Turquia

Rui Antunes

Laurence Griffiths

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Estádio José Alvalade, 20 de Junho de 2004, em cima das nove da noite. Nuno Gomes está em campo há 12 minutos, lançado por Scolari para o lugar de Pauleta. Recebe a bola de Figo, rodopia à entrada da área e remata de pé direito para o fundo das redes de Iker Casillas. À primeira tentativa, o avançado português desfaz o nulo no marcador e, ao mesmo tempo que apura Portugal para os quartos de final, atira a Espanha para fora do Euro 2004.

Passaram 12 anos e ainda não foi hoje que os espanhóis voltaram a perder num Campeonato da Europa. Chegou a vez da Turquia tentar, mas o selecionador Fatih Terim esperou em vão por um momento Nuno Gomes, como um daqueles sete que o ponta-de-lança lhe proporcionou quando o orientou na Fiorentina, em 2000/01. "Vi o futuro e é um belo futuro", soltou o turco após o primeiro jogo como treinador de Nuno Gomes, encantando com aquela "coisa estupenda" que vira em campo, que é como quem diz a parceria do avançado com o compatriota Rui Costa.

Terim estava radiante naquele dia, mas o futuro, hoje, está longe de ser belo. Com a derrota frente à orquestra de Andrés Iniesta (3-0), a segunda neste Euro francês, a Turquia está ferida num beco cuja única saída é uma vitória sobre a República Checa, na última jornada do Grupo D.

Já a Espanha, bicampeã da Europa, juntou-se a França e Itália na avenida que vai dar ao arco do triunfo. Com o apuramento para os oitavos de final, os homens de Del Bosque venceram o fantasma do Mundial do Brasil, quando se ficaram pela primeira fase, e podem soltar-se para atacar a proeza nunca alcançada de ganhar três Europeus consecutivos.

Bastaram três minutos para destroçar os turcos, que estavam a aguentar-se defensivamente e até ensaiaram dois ou três contra-ataques venenosos com o resultado ainda a zeros. Mas as más decisões na altura do último passe, para desespero de Fatih Terim e desgraça de uma garrafa de água (bateu forte a saudade de Rui Costa, não foi?), nem permitiram que David de Gea fosse posto à prova.

O guarda-redes espanhol foi mais um espectador e viu o pequeno Nolito, lá do outro lado do campo, descobrir Morata entre os dois centrais turcos. A bola caiu com toda a precisão na cabeça do avançado e só parou dentro da baliza de Babacan. A Espanha dominava mas ainda não tinha criado perigo e, no entanto, três minutos depois, foi a vez de Nolito se intrometer no último reduto adversário e fazer o segundo golo, aproveitando um mau corte de Topal. Dos 34 aos 37 minutos, a história do jogo começou e acabou.

E o jogo perdeu ainda mais graça quando, logo a abrir a segunda parte, Iniesta 'inventou' uma desmarcação perfeita para Jordi Alba, este encontrou Morata sozinho na área (em fora-de-jogo) e depois foi só encostar o pé para o 3-0. A Turquia desistiu e a Espanha aceitou as tréguas, com o resultado mais folgado até ao momento no Euro 2016.