Euro 2016

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GRUPO D

Turcos mandam checos para casa e ajudam Portugal

Turquia fica à espera dos resultados de amanhã para conhecer o seu destino e deixa Ronaldo e companhia a um ponto dos oitavos de final

Rui Antunes

© Gonzalo Fuentes / Reuters

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Félix Bollaert, um francês que dirigia a Campanhia de Minas de Lens, não sobreviveu para assistir à inauguração do estádio que decidiu construir, em 1931. E mais de 80 anos depois, em 2012, morreu André Delelis, antigo presidente da Câmara de Lens que salvou o clube da terra de desaparecer nos anos 60, quando a indústria mineira se desinteressou do futebol. Nenhum deles soube que os seus nomes serviram para batizar o estádio do Lens: em 1933, ficou Estádio Félix Bollaert e, em 2012, passou a chamar-se Bollaert-Delelis.

Não fosse este o primeiro Europeu a qualificar 16 seleções para a fase a eliminar, em vez das habituais 8, e também Turquia e República Checa não iriam a tempo de desfrutar do recinto do Lens. Em condições normais, com zero pontos, os turcos, e um, os checos, o mais provável era chegarem ao terceiro jogo da fase de grupos com os bilhetes de regresso a casa já adquiridos para o dia seguinte.

Por sorte, um outro francês ainda mais famoso no futebol, de seu nome Michel Platini, lembrou-se de alargar o número de equipas presentes no Campeonato da Europa. E o que poderia não passar de um jogo para cumprir calendário tornou-se num "tudo ou nada" entre checos e turcos por um lugar nos oitavos de final.

A obrigatoriedade de vencer soltou as duas equipas das amarras táticas que dominaram a primeira fase do Europeu. Bola cá, bola lá, os homens de Leste ameaçaram primeiro mas aos 10 minutos já estavam em desvantagem no marcador. Um contra-ataque muito bem desenhado pela direita encontrou Burak Yilmaz com espaço na grande área e proporcionou o primeiro golo da Turquia no Euro francês.

De imediato os checos foram à procura de inverter os acontecimentos. A bola passou a rondar muito mais a baliza de Babacan, chegou a bater no poste, mas o guarda-redes turco manteve-se sereno para responder a todos os problemas e afastar o perigo. O intervalo foi como uma bênção para os comandados de Fatih Terim.

O resultado não servia a qualquer lado. A República Checa precisava de ganhar e para a Turquia era importante ganhar com mais golos – ou seria a pior terceira classificada dos grupos já concluídos, só a faltar a definição dos últimos dois.

A iniciativa voltou a pertencer aos checos e, por momentos, o jogo assemelhou-se ao Portugal-Áustria. Uma equipa a atacar e a desperdiçar oportunidades, a outra a defender e a aproveitar para respirar sempre que conseguia levar o jogo para longe da sua área.

A grande diferença para os austríacos é que os turcos iam espreitando o contra-ataque. Num deles, à passagem dos 64 minutos, Arda Turan ganhou um livre. A bola chegou à área, sobrou para Ozan Tufan e o disparo de pé direito saiu com tanta força que o guardião Petr Cech mal se mexeu. A Turquia fazia o 2-0 e já não era a pior terceira classificada – passava a ser a Albânia.

Com o segundo golo sofrido, a República Checa deixou-se dominar pelas evidências de um adeus inevitável ao Euro. Os turcos aproveitaram, subiram no terreno e controlaram as operações até final. Ficam agora à espera que o terceiro classificado no Grupo E (Bélgica, Suécia ou Irlanda) ou no Grupo F (Portugal, Islândia ou Áustria) termine com pior registo para continuarem em prova.

Para Portugal, o triunfo da Turquia por 2-0 foi uma boa notícia. Amanhã, frente à Hungria, basta um empate para a seleção nacional seguir para os oitavos de final.