Euro 2016

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A serenata irlandesa também amoleceu a Itália

Golo a cinco minutos do fim prolonga a festa da Irlanda no Euro - sempre de copo na mão, claro

Rui Antunes

© Reuters Staff / Reuters

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Andaram aos beijos e abraços com os suecos (e as suecas), cantaram uma serenata a uma bonita francesa e uma música de embalar a um bebé, desobedeceram à polícia mas deram-lhe a volta com cânticos que amoleceram a autoridade. O Euro 2016 precisa destes irlandeses sempre em festa, que esta noite deram o litro para continuar em prova e foram premiados, a cinco minutos do fim, com o golo que tanto queriam.

Mesmo apurados e com a maioria dos titulares no banco de suplentes já a pensar na Espanha, adversária nos oitavos de final, os italianos não estavam para cantigas. "Peço aos meus homens que joguem para ganhar, porque ganhar é um hábito", avisara de véspera Antonio Conte, o homem que comanda a squadra azzurra. E com a Itália este é um hábito muito... habitual. Muitas vezes nem se percebe bem como aconteceu.

Não voltou a repetir-se a história hoje, no Estádio Pierra-Mauroy, em Lille, por acaso. A Irlanda a porfiar, a insistir, a tentar. E os suplentes de Itália, qual réplica dos titulares, à espera, à espera, tão cheios de 'mais-cedo-ou-mais-tarde-vamos-lá-à-frente-e-resolvemos-isto' que enerva qualquer um. Na primeira parte, mal avistaram a baliza de Randolph: um remate ao lado de Immobile, aos 43 minutos, foi a primeira e única tentativa de golo antes do intervalo.

Do outro lado, a Irlanda criou perigo num remate de Hendrick – passou a rasar o poste -, mas as restantes ofensivas terminaram todas na rede defensiva montada pelos italianos. Vontade não faltava aos irlandeses, o que faltava era espaço nas imediações da área contrária. E um golo para entrar nos oitavos de final.

No regresso dos balneários, tudo igual. Irlandeses em festa nas bancadas, equipa a dar tudo para chegar ao golo e italianos a transbordar de paciência, à espreita – e mais atrevidos à medida que o tempo ia passando. Ao minuto 53, um primeiro aviso: remate de Zaza à meia volta, pouco acima da trave da baliza irlandesa. Ao 77, o segundo: remate ao poste de Insigne.

Pelo meio foi sempre a Irlanda a conduzir as operações, à procura do golo tão desejado que lhe valeria um lugar entre os quatro terceiros melhores classificados. E ele chegou, através de um desvio de cabeça de Brady, quando faltavam apenas cinco minutos para um adeus precoce a terras gaulesas.

Como a jovem francesa, que não só filmou a serenata que os irlandeses lhe dedicaram nas ruas de Bordéus como ainda premiou um deles com um beijo (ao som de Can't Take My Eyes Off You), a squadra azzurra acabou rendida ao encanto irlandês. Porque andar de copo na mão, sem causar distúrbios, também é um hábito que se ganha – e nesse campo os irlandeses já são campeões. Agora venha a anfitriã França nos oitavos de final.