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Bruno Alves: “Não posso crer que um lance num amigável possa manchar o meu caminho na seleção”

Calmo, simpático e eloquente, Bruno Alves explicou aos jornalistas por que razão foi expulso contra a Inglaterra. “A minha vontade é vencer e ganhar todos os duelos”, justificou, acrescentando que “nunca, nunca” vai abandonar a seleção. E deixou muitos elogios ao ex-colega Nuno Espírito Santo, agora treinador do FC Porto

Bruno Alves foi expulso no jogo particular da seleção contra a Inglaterra, antes do Euro, numa entrada dura sobre Kane. Foi a primeira vez que o central foi expulso na seleção

Dan Mullan/Getty

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O que se passou contra a Islândia?
Falhámos muitas oportunidades, no futebol às vezes acontece isto. Mas nada está perdido, continuamos a batalhar forte para conseguir os nossos objetivos no final.

Mas o que correu mal no jogo?
Não correu nada de mal. Eles tiveram um ou dois lances durante o jogo, um jogo de futebol direto e segundas bolas. Estávamos preparados, estudámos muito bem a equipa deles, mas são coisas que acontecem no futebol, não têm muita explicação. Agora é continuar a trabalhar forte, nestes dias que vêm, para preparar bem o próximo jogo e lutar para vencer os próximos dois jogos, porque queremos muito estar na fase seguinte, foi para isso que viemos aqui.

Portugal não consegue entrar a ganhar numa grande competição desde 2008 porquê?
Não existe nenhuma explicação óbvia, não é? Penso que há aquela vontade de começar bem, aquele nervosismo inicial. Começámos bem, a ganhar 1-0, mas num lance típico deles empataram. Mas pronto. É de ressalvar a atitude dos nossos jogadores, tentámos tudo e acabámos com mais avançados, mais oportunidades e temos de continuar assim. E esperar que os resultados venham até nós.

O sonho de sermos campeões da Europa mantém-se?
Sem dúvida. Temos esse objetivo, trabalhamos muito, temos grandes jogadores e um grande coletivo. É um grupo unido e forte e temos de continuar.

Como é que viu a defesa do Fernando Santos em relação a si, depois da sua expulsão frente à Inglaterra?
O Fernando Santos já me conhece há muito tempo. Conhece o meu caráter, conhece a minha vontade de vencer, a minha vontade de ganhar todos os duelos, e as coisas no futebol podem acontecer. Não me senti magoado, porque acredito no que fiz e faço pela seleção. Em todos os apuramentos que estive sempre defendi Portugal da melhor maneira que posso, algumas vezes até foram decisivas, e penso que as pessoas também não se podem esquecer desses momentos. Não posso crer que um lance num jogo amigável possa manchar o meu caminho, a minha prestação ao longo destes anos todos na seleção.

Também se disse que houve um lance duro do Bruno no treino…
Não aconteceu nenhum lance no treino, para já. Não sei de onde é que tiraram isso, fiquei muito surpreendido com essa notícia [capa do “Correio da Manhã” na segunda-feira]. Como já disse, são lances que acontecem. A minha vontade de vencer e o meu caráter é sempre lutar para ganhar todos os duelos, todos os lances. Mas não mancha a minha passagem pela seleção, o contributo que tenho dado ao longo destes anos. Há bem pouco tempo estivemos aí a festejar o apuramento contra a Dinamarca e estive dentro de campo também a dar tudo o que tenho, dou tudo de mim. Penso que os verdadeiros adeptos da seleção conhecem o meu valor e vão sempre apoiar-me. Vou continuar a ser quem sou, foi dessa maneira que cheguei aqui.

Shaun Botterill

O que falhou para não regressar ao FC Porto nesta altura?
Não, não falhou nada. O Porto vai estar sempre no meu coração, vou estar sempre a apoiar o Porto, como estive este ano e sempre. Simplesmente optei por um outro projeto, porque o presidente do Cagliari e as pessoas de lá fizeram muita força para eu ir. Deram-me um contrato de dois anos que pode ser de três e a minha família também preferiu assim. Foi uma questão de escolha. Chegou a a haver conversas com o Porto, sim, mas acredito que o Porto vai vencer, porque tem esse ADN. O Nuno [Espírito Santo] tem esse ADN e vai levar o Porto ao bom caminho que já nos habituou.

Que mensagem deixa ao Nuno, que foi seu companheiro de equipa?
Que faça o que sabe. No meu tempo no Porto ele realmente não jogava muito mas era o líder do balneário. Aprendi muito com ele. Acredito na competência dele como treinador e acho que vai conseguir trazer o Porto de volta às vitórias. Estou a torcer por ele também.

Acha que agora já vai ser muito difícil regressar um dia ao Porto?
É assim, tudo pode acontecer no futebol, mas como sabe tenho 34 anos, assinei por dois anos mais um de opção… Mas nunca se sabe. Creio que deixei uma porta aberta no Porto, por tudo aquilo que eu fiz, as pessoas gostam de mim, conhecem o meu caráter, a minha vontade de vencer e de ajudar. Continuo a manter a minha vontade de apoiar o Porto, a minha família é toda portista, os meus filhos… Podemos estar longe, mas estamos sempre com o coração perto a apoiar o Porto.

Uma última pergunta: equaciona depois deste Europeu abandonar a seleção?
Nunca, nunca. Se precisarem de mim, vou estar sempre disponível. Estou sempre disponível para ajudar a seleção.

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