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O que é que a Amália tem que ver com Ronaldo e Puskás? Fernando explica

Fernando Santos tem uma fé inabalável nos seus jogadores e acredita que Portugal - mesmo que esteja sem André Gomes e Raphaël Guerreiro, que ainda estão em dúvida - vai vencer a Hungria

FRANCISCO LEONG

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Nunca se sabe bem que coelhos vão sair da cartola do mágico Fernando Santos quando há conferências de imprensa, mas uma coisa é certa: não podemos acusar o selecionador de ter um discurso enfadonho, ganhe, perca ou empate (já o de William...). "O futebol não é feito de varinhas mágicas e de tirar coelhos da cartola por magia. O jogo é o reflexo do treino, por isso jogamos como treinamos. Não é só pôr e tirar o A, B e o C. Tomara eu que fosse assim", respondeu quando questionado se iria fazer mudanças na frente de ataque para Portugal voltar aos golos.

"A finalização é o trabalho que fazemos sempre, porque se inclui no treino do processo ofensivo, que fazemos sempre. É um trabalho que se faz diariamente e que ainda hoje fizemos, não mudámos agora isso", revelou, acrescentando que Portugal fez, no jogo contra a Áustria, 18 remates certeiros à baliza, que não entraram por culpa dos postes ou do guarda-redes.

Dando a entender que não vai mudar a equipa para o jogo contra a Hungria - com exceção para Raphaël Guerreiro e André Gomes, que treinaram condicionados e ainda há que ver "a evolução do seu estado clínico" -, Fernando Santos fez questão de ressalvar que, ao contrário do que ouviu dizer, Portugal não jogou mal. "Fizemos um jogo razoável bom e um jogo bom. A única pecha foi finalizar, o que também passa por um trabalho mental com os jogadores. Não vamos fazer grandes alterações, acho que os jogadores ficavam completamente passados".

"Passado" ficou Fernando Santos quando ouviu desvalorizar a Hungria, entre o sorteio do Euro e o início da competição. "Pensavam que eu estava a fazer 'bluff' quando elogiei a Hungria, mas avisei que tinham boa equipa. Não acredito muito que vão jogar muito fechados, porque têm a sua forma de jogar e isso não muda de um dia para o outro. É uma equipa que trabalha muito, que é muito forte em termos coletivos e que também tem capacidade de ter bola", explicou.

Questionado sobre o momento de Cristiano Ronaldo, o selecionador desvalorizou a falta de golos do avançado português. "Depois do primeiro jogo disseram que estava muito sorridente. Agora parece que está triste. Eu também oiço o que vocês dizem, não são só vocês que me ouvem. O Cristiano vai fazer tudo, com cabeça e sem ansiedade, para marcar golos", disse, elogiando o capitão. "Quando temos alguém que é o porta bandeira deste país... É como a Amália", comparou, acrescentando também que Ronaldo vai continuar a bater os penáltis e os livres da seleção. "Não há jogador nenhum sem jogo coletivo, porque um jogador sozinho não consegue fazer tudo. Havia um húngaro que até fazia isso de forma bilhante, que era o Puskás, mas até ele precisava da equipa."

Também William Carvalho negou que haja na seleção "Cristiano dependência". "É o nosso capitão, o nosso jogador mais experiente, mas somos onze em campo, é um coletivo", explicou o médio português, que não distribui jogo nas conferências de imprensa tão bem como faz no relvado. "Temos trabalhado bem [expressão que repetiu meia dúzia de vezes] e a finalização não nos preocupa, de certeza que amanhã os golos vão aparecer", disse.

Questionado sobre o que o distingue de Danilo na posição '6', William não foi muito esclarecedor. "O que o mister me pede é o que acha melhor na altura e depois em campo o jogador é que decide. Não sou o Danilo, jogámos na mesma posição e temos a mesma paixão e acreditamos no trabalho que fazemos". Mas garantiu que todos os colegas têm qualidade para jogar. "Isso são as escolhas do mister. É-me igual jogar com A ou com B, a seleção está sempre bem representada."